No ano 2011, os cientistas Gregory P. Sutton e Malcolm Burrows desvendaram finalmente o mecanismo que permite que as pulgas possam saltar distâncias descomunais, publicando os resultados no artigo “Biomechanics of jumping in the flea” [Biomecânica do salto na pulga] no “Journal of Experimental Biology”. Estes cientistas verificaram que as pernas da pulga servem como alavancas multiarticuladas e permitem que o inseto consiga percorrer até um metro de distância num único salto. Se adaptarmos estas dimensões a uma escala humana, esta distância seria o equivalente a passar de uma ponta a outra de um campo de futebol com um único salto! Curiosamente, apesar dessa impressionante capacidade para saltar, é muito fácil treinar pulgas e retirar-lhes essa capacidade: se colocarmos várias pulgas dentro de um frasco, as pulgas vão continuar a saltar e bater repetidamente contra a tampa do frasco. Como seria previsível, depois de algum tempo as pulgas não querem continuar a bater contra a tampa e adaptam-se, passando a saltar apenas até uma altura ligeiramente inferior à da tampa, para não bater. Depois desse momento, mesmo que seja retirada a tampa do frasco, as pulgas não vão saltar para fora do frasco, pois interiorizaram as limitações do ambiente e passaram a agir em conformidade, sem ter noção que as circunstâncias mudaram. Vale a pena considerar se por vezes não estaremos a agir como “treinadores de pulgas” ou como pulgas treinadas, que dão saltos muito inferiores àquilo que realmente são capazes!

Roberto Macedo Alves Desenhador de BD