1 - A condição de arguido é normal e resulta de uma simples queixa ou investigação. Na grande maioria das vezes é uma situação que passa para 'arquivado'. Os jornalistas sabem disso porque a maioria é ou já foi arguido por várias vezes. Quando era moda processar quem dava as notícias essa situação era constante.

Por isso, o facto de Alberto João Jardim ter sido constituído arguido num processo e ter marcada uma audição para o dia 20 de Abril – curiosamente quando fará um ano que deixou de ser presidente do governo – não deveria ter grande relevância. Mas tem.

Será a primeira vez, em décadas, que tem de comparecer num tribunal, sem imunidade e como qualquer outro cidadão. Só isso já é notícia.

Mesmo que seja muito pouco provável que o processo 'Cuba Livre' avance – deverá seguir para o monte dos 'arquivados' – o facto de ter de descer ao mundo dos mortais já é importante.

2 – O governo regional está a investigar os ex-administradores do Jornal da Madeira devido às contas passadas. Até pode ser justo, mas o que não se percebe é porque não se estende a queixa a quem tutelou, durante décadas, uma empresa que devorou milhões de impostos dos contribuintes, criou distorções de mercado de consequências dramáticas e colocou no desemprego dezenas de trabalhadores.

Se há suspeitas de irregularidades devem ser investigadas, mas todas. Desde logo, saber para onde foi tanto dinheiro, porque um passivo de 50 milhões não pode ficar como um pormenor de contas.