Joaquim A. Moura Como um treinador se revela sem grande eloquência num verdadeiro estupor. O ex-treinador do FCPorto, André Villas Boas, educado que foi ali e por lá se sentou na “cadeira de sonho”, proferiu no final da partida que o eliminou a ele e ao seu Zenit a maior aleivosia, quase uma demonstração de garotice, quando perguntado sobre o que esperava desta campanha que o SLBenfica está a fazer na Liga dos Campeões, aquela que maior prestígio dá aos seus intervenientes, respondeu como um “villão mau” sabe, e até prova de quem certamente treinou, tais lances ofensivos;- “Benfica? não interessa! Sou portista”. Este pequenito de barba ruiva, prenhe de frustração,inchado de amargo de boca, revelou numa simples frase, toda a sua dimensão de porto...guês incomodado. Teve oportunidade de trocar a ofensa e disfarçar o desencanto, dizendo para inglês ver e ouvir: “ desejo ao Benfica e ao seu treinador sucesso para continuar em prova”. Mas não. O bandalho, que nunca chegará ter barba preta e rija como os Homens, preferiu fazer vir à tona todo o ódio que enverga, e que por acaso tinha a cor azul. Se fosse um adepto qualquer, daqueles de bancada e de café, a gente compreendia, até porque os há do outro lado das outras cores. Mas este (ir)responsável, que sabe estar a falar para o mundo, tem outra obrigação de fazer de conta, escondendo o que lhe vai na alma. A mim, não me surpreenderá que no dia em que ele tiver que desembarcar em Lisboa, tenha a recebê-lo uma multidão de “vermelhos enrubescidos”, a não permitir-lhe sequer que ele saia do avião, e o obrigue a seguir até ao Porto. Isto, se ainda houver ligações aéreas entre a capital e a cidade do dragão. Se não ele só poderá sair na Galiza, pois é isso que ele demonstrou ser - galego!