Verdade ou consequência é um jogo conhecido e popularizado em livros e filmes que consiste na resposta com verdade a uma pergunta. Caso se opte por não responder tem uma consequência, à qual não se pode fugir. São estas as regras do jogo. Por cá, nos últimos 40 anos de política, quando o PSD faltou à verdade nunca existiu consequência para os próprios. Veja-se o caso da dívida oculta, em que enganar os cidadãos e não cumprir as leis não teve consequência, e não acredito que venha a ter. Junte-se a este o caso do compadrio nas inspecções automóveis, em que a Região terá agora de pagar uma indemnização de 20 milhões de euros, mas não há consequência para os governantes que perpetraram a burla. Veja-se o caso das infracções aos Planos Directores do Funchal, o que dava, à luz da lei, perda de mandato. Qual a consequência do favorecimento a amigos, compadres e familiares, e do prejuízo para o Ordenamento da Cidade? Por cá é assim. Somos implacáveis nas conversas de café mas inconsequentes quando temos o boletim de voto na mão. O Papa Francisco é que sabia o que dizia “o povo empobrece e logo de seguida vota em quem o lançou na pobreza”. Esta forma de cidadania, em que se compensa a mentira com o voto, “faz-me espécie”. O benefício da dúvida deve ser dado a quem assume novas funções, mas pode ser que a propaganda é que tenha toldado a realidade, porque hoje o sentimento é outro. O Governo, o PSD-M e o seu Presidente em pouco tempo desbarataram o capital de confiança que tinham criado na sociedade. A palavra dada não foi honrada. Desde “nem mais um tostão para o Jornal da Madeira”, onde se continua a injectar milhões, ao avião cargueiro que não passou de uma peta, à ligação marítima com o continente que iria chegar em 2015, mas não veio, e que passará a ser sazonal, mas não sabem quando... A mobilidade aérea do pára-arranca em sucessivas alterações; a trapalhada de entradas e saídas de membros do governo; as ameaças de demissão a membros do governo na praça pública, como assistimos esta semana; o caos no sistema regional de saúde e o incumprimento em relação ao cheque cirurgia, do qual dependem 19200 madeirenses; desemprego mais alto do país, etc. Parece que a Madeira do passado já não é a de hoje, mas este PSD continua a ser igual ao do passado. A confiança é um bem difícil de conquistar, e quando desbaratada nunca volta a recuperar. Acabou a lua-de-mel com este Governo.

Victor Freitas Deputado do PS-Madeira