Carlos Mendonça Já estamos em Março e ainda aqui vamos. Eis o 4.º ano sem aumentos salariais (ao contrário do que dizem) e continuamos a aplaudir os sucessivos recordes dos lucros brutais na hotelaria. Há qualquer coisa aqui que definitivamente não bate certo.

A minha interpretação do que está a acontecer é a seguinte: durante os últimos anos tivemos uma Direita no Governo central e, durante este tempo, tornou-se mais do que natural sacrificar os direitos dos trabalhadores. Aliás,“sacrifícios” foi a palavra de ordem no que toca ao mercado laboral. Dadas as condições favoráveis, meia dúzia de senhores empresários hoteleiros vêem uma oportunidade de concretizarem os seus sonhos e, através de uma Associação, tentam impôr condições de trabalho de terceiro mundo e erradicar tudo o que seja Direitos dos trabalhadores. Felizmente, houve resistência que manteve-se até ao dia de hoje e que recentemente contou com o apoio do Governo Regional que decidiu dar a razão aos trabalhadores. E nem assim se a história acaba...pois até o Governo levaram para tribunal.

Estes senhores devem de idealizar um mundo onde os trabalhadores aceitam com naturalidade a escravidão e não compreendem que no mundo real as coisas não são e nem podem ser assim. Tendo em conta que os trabalhadores, os turistas, o sindicato, o Governo Regional e recentemente o tribunal não lhes dá a razão, isto leva-me a crer que há interesse em deixar esta situação se arrastar o máximo de tempo possível. Talvez para reter aumentos salariais? Ou pura teimosia Quanto à actualização salarial, são bem mais os hotéis que conheço que não deram aumentos salariais do que aqueles que o fizeram. E destes que o fizeram, uma boa parte fica aquém do que seria de esperar. Conheço um caso de um grupo hoteleiro que em 4 anos (já contando com este) aumentaram em média €10 por trabalhador (cerca de €2.5 por ano) enquanto os lucros subiram aos milhões. São estes os aumentos que alegam com orgulho que os hoteleiros estão a dar?

É uma questão de bom senso...ou de vergonha.