Uma estudante No passado dia 25.10.2015 candidatei-me, eu e mais dezenas de estudantes, a uma aparente bolsa de estudo que, amavelmente, nos seria disponibilizada pela tão solidária Câmara Municipal do nosso querido Município de Santa Cruz.
Assim, e conforme a novidade foi-se sabendo, o número de candidaturas foi aumentando e com ele a felicidade dos jovens que prosperavam uns €€ a mais para a tão dispendiosa universidade. (Para os mais distraídos: as bolsas funcionam como um empréstimo a fundo perdido que resulta, a longo prazo, na formação de jovens profissionais capazes de integrar o mercado competitivo em redor. Desse jovem nascem projetos que empregam algumas pessoas e que faturam alguns €€ que ajudarão no desenvolvimento económico do país). A prometida bolsa tinha a particularidade especial, que confesso, cativou-nos bastante, de NÃO TER LIMITAÇÃO ORÇAMENTAL, estando disponível para todos os jovens estudantes residentes na área de Santa Cruz que cumprissem com uma serie de critérios pré-definidos, presentes em regulamento. Posto isto, não restavam dúvidas de que a bolsa estaria ao alcance de muitos (ou quase todos) os que se candidatassem, conscientes de que a situação financeira da família assim o permitia. Entre viagens ao departamento de Coesão Social da C.M. às burocracias para a candidatura, houve quem gastasse os poucos €€ que tinha, para adquirir documentos desnecessários para o processo e tudo à conta da má informação prestada.
Houve, também, quem fosse inibido de usufruir da bolsa da sua Freguesia com a promessa de que, nesse caso, seria contemplado com a da Câmara.
Passados 4 meses de espera e por entre inúmeras chamadas, as respostas foram cada vez mais caricatas. Numa tentativa de não jurar em vão “ainda não temos data certa, vá aguardando” mas sem nunca proferir a verdade, ouviu-se um (mais ou menos honesto) discurso parecido com “isto está difícil de dinheiro, não sei como vão fazer”. Por fim, e eu compreendo a demora, pois imagino o quão árduo (entre pausas para café, almoços longos, entradas ao serviço atrasadas e saídas mais cedo) deva ser para a Sra. Dra. Vereadora assinar algumas dezenas de folhinhas que nos informam do seguinte: “…foi indeferida a sua candidatura ao apoio previstos no Regulamento de Atribuição de Bola de Estudo, a alunos do ensino superior, pelos motivos abaixo indicados – limitação orçamental. Com os melhores cumprimentos, A Vereadora…” Obrigada Sra. Dra., pra si também.
Só gostaria de colocar uma questão, não que me interesse a vida alheia, mas queria saber se existem muitas mais pessoas ridicularizadas. Existem sequer contemplados por esta generosa bolsa, ilimitada, de 100€ mensais? Talvez seja deficiência no meu comunicado, mas acima de “Limitação orçamental” constam outros 3 argumentos, sob tentativa de tapar o sol com a peneira. Quase me confundia na medida de achar que houve, um dia, intenção em oferecer bolsas.
Adorei esta tentativa, de deixarem de enxovalhar a classe trabalhista, por uns dias, com falsas promessas, fazendo-o desta vez, aos estudantes. Foi engraçado e fez-me perceber que o nosso sistema é como uma doença grave - todos pensam que nunca chegará o nosso dia mas… Uma dica: Mentir é feio, não façam mais isso.