Terminou, para alguns campeonatos, a possibilidade de alguns clubes poderem corrigir os problemas nos seus plantéis e assim atacarem o restante da época em condições de alcançarem os seus objectivos. Costumo dizer que os problemas dos plantéis não são corrigidos nesta fase da época, quando muito são colmatadas lacunas e “maquilhados” erros de casting do inicio da época. Nesta fase não se conseguem reforços, fazem-se contratações para determinadas posições, é diferente.
Assistimos ao longo do último mês de Janeiro a muitas tentativas de colmatar e maquilhar erros e lapsos, mas para que tal aconteça é necessário dinheiro e isso é algo que no futebol português não existe, aliás não só não existe no futebol como não existe em mais sector nenhum do pais, apesar de nos pintarem que agora tudo está bem e tudo se resolverá.
O mundo do futebol é algo que gravita em torno de tudo o resto. Pode não haver dinheiro mas os negócios fazem-se por milhões e milhões. Fala-se no futebol de milhões com a mesma facilidade e à vontade como se fala de mais simples trivialidade do dia a dia.
O campeonato português é conhecido por estar entre os melhores, e de entre estes melhores somos dos melhores a realizar negócios e transferências. Veja-se a titulo de exemplo o negócio das operadoras televisivas. em poucas semanas duas operadoras realizaram com clubes negócios de mais de mil milhões. Até parece fácil e normal. Os clubes, afogados nas suas guerras, lutam para não ficar para trás e vendem tudo o que podem para os próximos dez anos, fazendo com que o que parece hoje algo de extraordinário, possa ser daqui a cinco anos apenas bom e desfasado da realidade desse momento.
E creio que será isso que vai acontecer. Vimos o mercado do futebol expandir-se não só para os EUA, e assistimos agora, mais do que nunca, à entrada em força do futebol chinês, levando jogadores de primeiras equipas europeias por dezenas de milhões de euros, oferecendo ordenados perfeitamente desfasados da realidade e fazendo inclusive as pessoas ficarem com a ideia que até o próprio Cristiano Ronaldo e Messi não ganham, de ordenado, assim tanto.
O futebol caminha por estradas cada vez mais perigosas, onde muita coisa passa a valer só para que os clubes não fiquem para trás ou até mesmo determinados campeonatos não percam visibilidade. A titulo de exemplo veja-se a “venda” da II Liga portuguesa a uma empresa chinesa. É necessário dinheiro? Sim! Mas a todo o custo e a qualquer custo? Não!
A finalizar, e porque vem ai o Carnaval, aproveitem, divirtam-se porque vem ai o novo orçamento de estado, o tal que seria em tudo diferente do anterior, e estará por ai para nos massacrar.
Tal como no futebol, onde alguns clubes fazem tudo para chegar ao topo, não olhando muito vezes a meios para alcançar tal fim, na política alguns assim o fazem, prometendo o paraíso e pelos vistos não será bem assim.
Duarte Vieira