A miopia permite-nos ver bem “ao perto”, mas não à distância. Na política é a mesma coisa. A miopia política impede-nos de vermos mais além. A União Europeia, como Europa unida, é uma farsa. A Europa tem tensões que derivam não apenas da sua História, como do momento presente que cada um dos países que a compõem está a viver. Já aqui o escrevi e repito-o: se nos anos 40 do século passado a ditadura era racista, xenófoba e militar, ela hoje é financeira. A guerra nos dias que correm disputa-se nos “mercados”, essa entidade abstrata que não é mais do que a junção das agências de rating com a banca. Sejamos claros, estamos quase todos endividados: particulares, empresas, bancos e Estados. Aqui chegados importa perceber que as dívidas são muito mais para serem geridas do que saldadas. Quando por exemplo um particular tem uma dívida de 20 anos ao banco para pagar um empréstimo à habitação, não tem obviamente de a saldar amanhã ou para o mês que vem. Tem, claro está, de ter um rendimento mensal assegurado que lhe permita pagar a dívida no tempo e nos montantes contratados com o banco. Ora, o mesmo se passa com os Estados. Só uma Europa vergada aos interesses da Alemanha (a mudança semestral de liderança Europeia entre todos os países é uma anedota para crianças) permite que quase todos os dias “Bruxelas” – essa outra entidade maior – emita opiniões sobre a política orçamental dos países europeus. Convém lembrar que um Orçamento de Estado de um país representa a vontade popular, dos cidadãos eleitores, sobre o futuro que escolheram para a sua comunidade. O que a Europa não vê, é que ao fim de 40 anos de democracia em Portugal, pela primeira vez – repito, primeira vez - partidos como o BE ou o PCP aprovaram um Orçamento e o quanto isso valoriza o caminho Europeu para uma nova Ordem de governação do bem comum. Confesso que neste campo, ainda que não me considere vencido, sou um europeu entristecido. [email protected]
Luís Sena-Lino Consultor de Marketing e Comunicação