O cartaz do Bloco, a lembrar que Cristo teve dois pais, é tonto. Não resultou, foi uma criancice. O partido comportou-se como o menino chato que ganhou um jogo e fica a provocar os outros. Quase sempre acaba por levar um estalo. Foi isso que aconteceu.

A provocação foi igual à do Presidente da República que, de forma vergonhosa, se recusou a promulgar uma lei aprovada por uma larga maioria de deputados, da esquerda à direita e a devolveu ao parlamento. Também levou um estalo de mão aberta e foi obrigado a engolir o que não queria.

A adopção de crianças por casais do mesmo sexo é um avanço civilizacional de que o país se deveria orgulhar. Mais tarde ou mais cedo será normal em todos os países evoluídos, provando que as posições conservadoras nunca estão certas – confesso que já pensei de forma diferente sobre este assunto -, mas por agora estamos à frente. Um avanço que dispensava este cartaz.

O cartaz é tonto, o Bloco ainda não percebeu que tem de ser, rapidamente, um partido adulto e com responsabilidades de poder, mas nada disso é tão absurdo como algumas reacções que surgiram, em poucas horas.

A mais fantástica foi de um grupo de malucos que reuniu assinaturas para pedir ao Provedor de Justiça que tomasse uma posição contra um crime de 'blasfémia'. Sim, isso mesmo, aquele crime que nos países islâmicos pode significar a pena de morte. Não se sabe se esta gente apoia essa medida.

É perder tempo, mas alguém deveria explicar a essas pessoas que numa democracia, num país laico como o nosso, fé e religião não são lei. Qualquer um pode dizer que não acredita em nenhum deus, pode duvidar da existência de Jesus ou de outro profeta qualquer. A isso chamamos liberdade.

Contestar, duvidar ou fazer humor com uma crença religiosa é legítimo, aqui ou em França. Só por isso é que pode ter valido a pena esta polémica infantil, criada por um cartaz que até nem era original. Os autores copiaram uma frase de uma igreja canadiana que a usou para, imagine-se, combater a discriminação das crianças por gente daquela que grita contra a blasfémia!