Henrique Costa Neves Eis que finalmente surge uma medida realmente estruturante para o desenvolvimento do Sector Primário da nossa Região Autónoma: pagar 4 euros para lançar um anzol ao mar. É mesmo isso, por incrível que pareça! Para quem encontra no mar o local para a evasão mental e que queira em simultâneo recrear-se com uma pesca lúdica, sempre relaxante, terá de cumprir a partir de agora, mais um procedimento burocrático para poder usufruir de tal direito, o qual se perde na memória dos tempos. Começa a ser doentia a obsessão de tudo regulamentar. A paranóia do regulamento, do regulamento… Por este andar, pouco falta para que passemos a pagar o ar que respiramos (enquadrado por um regulamento, claro está), e para que paguemos também o nosso inalienável direito à existência. Já pagamos a água que bebemos, o que defecamos, para além de uma parafernália de contribuições, todas elas “devidamente regulamentadas”, de modo a bem infernizar a nossa breve passagem terrena. Sinceramente, por muitas voltas que dê à cabeça, não consigo encontrar o alcance desta “douta” medida, surgida de forma despropositada e à queima-roupa. Se atendermos à argumentação utilizada de que …”está protegido o objectivo turístico e a defesa da segurança alimentar”…,(!?), entramos então no campo do patético surreal. Esta importante medida consubstanciou-se através de apenas alguns deputados, pagos por todos nós de forma generosa, que agora nos obrigam a pagar, sempre que sentirmos a fantasia de lançar um anzol às salsas ondas!... O então Mare Nostrum é de facto cada vez menos nosso. E é até Bruxelas que decide quanto, quando, e o que pescar no nosso mar!... Na qualidade de cidadão atento ao que se passa na nossa terra, faço votos para que impere a lucidez e o bom senso, quando se tomam decisões com este alcance, e obviamente que gostaria de ver transformado em letra morta o dito diploma legal. Ao invés, seria de extrema utilidade pensar-se, isso sim, numa apreciação que tarda em acontecer à situação da pescaria do peixe-espada preto nos mares da Madeira. Dantes, o peixe-espada era capturado a poucas milhas ao largo da Ilha. Ultimamente temos ido pescá-lo cada vez mais longe, e não tarda muito que tenhamos mesmo de o ir buscar aos mares dos Açores.