
Simone de Oliveira foi morta duas vezes, tal como o actor norte-americano Morgan Freeman e uma longa lista de personalidades que, felizmente, continuam vivas e de boa saúde. A cura do cancro está nas anonas, há provas escondidas de que os americanos não foram à Lua e os deputados ganham 250.000 euros por mês, tem direito a dez assessores, quatro motoristas e telemóvel. Tudo isto é certo, sem margem para contestação e recebem centenas de estúpidos 'likes', alguns com aquelas carinhas amarelas.
É nisto que se transformaram as tão seguidas redes sociais, um meio de comunicação entre pessoas – não confundir com meio de informação – que está muito perto de ser um veículo de alucinação colectiva e deixar de ser uma boa forma de encontrar amigos perdidos há muito ou partilhar opiniões.
Até os verdadeiros meios de comunicação, de forma irresponsável e suicida, optam por ir ver 'o que dizem as redes sociais', como se essa fosse a opinião da população ou algo com um mínimo de lógica e relação com a realidade. Há consequências caricatas e outras perigosas.
Era tempo de parar, ver no que transformaram as redes e colocá-las no lugar de onde nunca deveriam ter saído: um meio de contacto entre amigos. O tal 'livro de curso' do Liceu e da faculdade. Nunca 'meios de comunicação'. Pelo menos para quem não quer fazer figuras tristes e colocar ridículos R.I.P. (a maioria nem sabe o que quer dizer) nos posts da morte de mais uma personalidade que um maluco qualquer decidiu 'matar' no facebook. Ou contribuir para o anedotário e afirmar que a cura do cancro está nas anoneiras... porque está na rede.