Há quem os considere a “geração dos nem nem”. Existem dois grupos: os que já estão fora da escolaridade obrigatória e os que ainda se encontram abrangidos. O primeiro grupo é constituído por jovens, entre os 18 e os 25 anos de idade, que, por opção, malandrice, incapacidade de inclusão ou mera falta de oportunidades, nem estudam, nem estão em nenhuma espécie de formação, nem trabalham, nem estão envolvidos em nenhuma atividade desportiva ou cultural. Apesar do esforço dos responsáveis governativos em encontrar formas de integrar alguns destes jovens na vida ativa, vamos assistindo, todavia, ao crescimento deste grupo de cidadãos que, sem qualquer rumo, sobrevive, como pode, num dos cantos da sociedade. O combate a este fenómeno social, tão complexo, exige o envolvimento de outras entidades de modo a ser possível diversificar, ainda mais, as respostas. No meu entender, as escolas podem desempenhar um papel importante nesse trabalhar de soluções. Pois, além da oferta dos cursos de Educação e Formação de Adultos, os professores, se tiverem apoios e meios de atuação suficientes, servindo-se da sua experiência e saber, poderiam ir ao encontro destes jovens e desenvolver, com eles, no seu espaço ou na escola, projetos de integração individualizados, promovendo um trabalho de motivação, formação e orientação, proporcionando-lhes uma nova oportunidade para aprenderem competências essenciais, qualificações e conhecimentos elementares. O segundo grupo é constituído pelos alunos do absentismo escolar grave. Não estou a falar do absentismo normal que se resolve com os pais e os diretores de turma. Refiro-me aos que, dentro escolaridade obrigatória, de modo sistemático, não estão nas aulas ou só lá estão pontualmente. Os que não se reveem no ensino tradicional, nem no sistema dos Currículos Alternativos, nem possuem capacidade suficiente para frequentar os Cursos de Educação e Formação. E não são os acordos com as Comissões de Proteção de Crianças e Jovens nem a pressão dos Tribunais de Menores que resolvem este problema. Não são muitos, é verdade, mas são crianças e jovens normais que precisam de percorrer um caminho distinto dos outros. Se houvesse uma base legal, estes alunos poderiam cumprir a escolaridade obrigatória através de um currículo adaptado, desenvolvendo um projeto de vida fora da escola, orientado pelos professores, em contexto de atividade vocacional. Aqui, num espírito de trabalho formativo, e existem experiências que provam o sucesso deste estratégia, seria possível aprenderem alguns dos conteúdos básicos do currículo escolar ao mesmo tempo que adquiririam competências pessoais e sociais, ganhando autoestima, hábitos de trabalho e de responsabilidade.

Rui Caetano