A. F. A palhaçada do Carnaval é incrivelmente escandalosa nesta terra. Como durante o resto do ano, os nossos governantes babam-se e gabam-se das estatísticas turísticas. Sábado à noite, cortejo carnavalesco, e lá estão eles na RTP-M, com uma plateia de turistas por trás, a se gabarem da festividade que traz muitos turistas à nossa ilha. Quais turistas, qual quê?! Querem jogar areia para olhos de quem?! Cambada de turistas tesos que andam por aí a regatear a sua estadia e a sua alimentação, como se fossemos escravos, vassalos simpáticos e hospitaleiros à espera da migalha de pão que eles nem sequer têm, pois são mais tesos que nós! Esta minha palhaçada de crítica destrutiva refere-se ao agora Carnaval, mas aplica-se a praticamente ao ano inteiro. E agradeço ao Diário a sua publicação, pois vivemos numa terra de cobardias onde toda a gente come e cala. Ninguém reclama, tudo e todos estão calados! Fim-de-ano, Fogo-de-artifício, cartaz turístico: gente aos batelões durante 3 dias; Carnaval, festividades, cartaz turístico: gente aos batelões num só dia (sábado do cortejo); Festa da Flor, espectacular cartaz turístico e único que ainda se aproveita qualquer coisa: gente aos batelões durante o dia do cortejo e a outra meia dúzia de dias é assim-assim. Todas as outras festividades, mais meia dúzia delas, é mais do mesmo: movimentação comercial no dia principal da festividade e o resto é zero! São pouco mais de uma dúzia de dias de bom negócio e o resto é prejuízo! Mas afinal?! O ano tem 365 dias e é quase o ano inteiro de comércio de porta aberta, com responsabilidades para pagar! Passou-se a terça-feira de Carnaval e ficou a cidade deserta, com o comércio do sector privado de porta aberta a se escravizar! Isto é uma palhaçada! Isto é revoltante! Isto acontece durante o ano inteiro, dias e dias em que o Funchal está deserto, lojas abertas, restaurantes abertos, comércio aberto para alegrar a cidade e ninguém a consumir! Mas afinal? Estão a brincar com a nossa cara? Com a nossa vida? Com a vida da população empregada no privado?! Mas será que ninguém vê isto?! A se juntar a toda esta palhaçada, é óbvio que o comércio fica selvagem e distorcido e tudo começa a puxar a brasa à sua sardinha e aparecem novas palhaçadas que só pioram a situação. Lojas a distorcer o seu ramo, a acrescentar produtos que não têm autorização para vender, só para pingar alguma coisa na caixa! Restaurantes com cicerones a chatear insistentemente os transeuntes para consumirem algo, qual desespero sufocante, que até compram clientes para “fingir casa cheia”, oferecendo comer, oferecendo bebidas, etc., só para ter alguém dentro de casa, pois como se não bastasse, ainda há muitos inteligentes que acham que uma casa vazia não presta serviço de qualidade e esquecem-se que antes de estar cheia, alguém se sentou primeiro. Criou-se aqui uma bola-de-neve difícil de parar. As entidades públicas estão perdidas sem saber o que fazer. Não há regras, não há nada, abrem-se lojas e negócios sem controlo nenhum e só pioram a situação comercial da cidade! Rebenta com tudo, não dá para uns e não dá para outros! Não dá para ninguém! Lojas que abrem, outras que fecham, uma confusão maldita, uma corrupção escandalosa! E no meio da cobardia que só levante a voz quando o árbitro rouba o Benfica, está tudo calado, tudo moita! Ninguém diz nada… Que estupidez. Obrigado ao Diário por publicar a minha crítica destrutiva.