Alepo, a antiga metrópole económica da Síria e hoje totalmente retomada pelo exército de Damasco, tornou-se na linha da frente de uma violenta guerra civil e foi quase totalmente destruída por bombardeamentos contínuos.

Diversas forças da oposição apoderaram-se das zonas leste da cidade em julho de 2012, e desde então que as forças governamentais tentavam recuperar a cidade.

Alepo é uma das mais antigas cidades do mundo continuamente habitadas, com a sua origem remontando a 4.000 anos antes de Cristo (AC).

Ao beneficiar uma importante indústria manufatureira, era a segunda cidade do império Otomano no século XIX.

Designada pela UNESCO património mundial em 1986, a cidadela de Alepo é considerada uma joia da arquitetura islâmica medieval, apesar de ter sido danificada por uma explosão em julho de 2015.

Dois anos antes, os combates tinham destruído o minarete do século XI da mesquita Ummayad, e o antigo mercado coberto da cidade também registou importantes estragos.

Antes da guerra, Alepo era a maior cidade da Síria e permanece uma encruzilhada de importantes vias rodoviárias, assumindo uma importância estratégica vital para os dois lados.

Em abril e maio de 2011 milhares de estudantes manifestaram-se na cidade, em protestos contra o Governo do Presidente sírio Bashar al-Assad, e que já tinham ocorridos noutras zonas do país em março.

Os protestos foram reprimidos com violência, mas os combatentes rebeldes apoderaram-se de zonas nos arredores da cidade, que utilizaram como base para avançar sobre a cidade em julho de 2012.

As forças governamentais promoveram um contra-ataque e mantiveram o controlo dos distritos ocidentais, dividindo a cidade. Seguiram-se ataques aéreos contra as zonas rebeldes.

A partir do passado dia 15 de novembro, um assalto apoiado pela força aérea russa permitiu a Damasco e forças aliadas um avanço progressivo, e a icónica Cidade Velha caiu em 07 de dezembro.

Mais de 465 civis foram mortos no leste de Alepo durante o assalto militar e outros 142 foram vitimados por ‘rockets’ lançados pelos rebeldes sobre áreas governamentais, segundo um relatório divulgado em 15 de dezembro pelo Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH), com sede em Londres.

Pelo menos 34.000 pessoas foram retiradas dos distritos rebeldes de Alepo, indicou por sua vez o Comité Internacional da Cruz Vermelha.

Analistas referem que al-Assad estava determinado em retomar Alepo antes de Donald Trump assumir a presidência dos EUA em janeiro.

Com as suas forças em controlo da capital e Alepo, no momento em que Trump efetuar o juramento, Assad “pode dizer que a substituição do seu regime está totalmente fora de questão”, de acordo com o analista Mathieu Guidere.

Com a sua vitória em Alepo, Assad controla agora as cinco maiores cidades do país, permitindo-lhe surgir numa posição de força no caso de reatamento das conversações da paz patrocinadas pela ONU.