Centenas de venezuelanos protestaram hoje em várias cidades da Venezuela, pela falta de notas nos bancos públicos e privados do país.
Os protestos ocorrem um dia depois de saírem de circulação as notas de 100 Bolívares (Bs - 0,15 euros), com os clientes a reclamarem que a banca pública e privada do país não dispõe dos novas notas de 500 (0,75 euros) que o Governo anunciou seriam distribuídos a 15 de dezembro.
Em algumas cidades ocorreram bloqueios de estradas com pneus incendiados, saques em estabelecimentos comerciais e de camiões com produtos básicos.
Em El Callao, a sul do Estado de Bolívar (sudeste do país), segundo as rádios locais, a população saqueou dois supermercados, propriedade de chineses, que se recusaram a receber as notas de 100 Bs.
Um dos estabelecimentos está situado frente ao Mercado Municipal de El Callao e outro nas proximidades da Praça Bolívar e os saques levaram os outros comerciantes a fechar as portas.
Várias pessoas queixaram-se aos jornalistas de que dois estabelecimentos bancários não abriram as portas, Banco Caroní e Banco Bicentenário (estatal), e que o a agência local do Banesco não está a receber depósitos dos clientes.
Na cidade de Maracaibo, a segunda maior do país, a população tentou saquear o Mercado das Pulgas, o que ocasionou o brusco encerramento de estabelecimentos comerciais e obrigou as autoridades a reforçar a segurança com polícias e militares.
No meio da polémica está a falta de atenção a centenas de pessoas que pernoitaram junto da sede local do Banco Central da Venezuela (BCV) à espera para poderem trocar as notas de 100 Bs.
Depois de anotar números nos braços das pessoas, aquele banco terá colocado a indicação de que não receberia as notas. Sete pessoas foram detidas, pelo menos uma ficou ferida, e uma sapataria foi saqueada.
A situação levou o Metropolitano a suspender temporariamente o serviço de transporte.
Na cidade de Maturín, a sudeste de Caracas, dezenas de clientes bloquearam a avenida Juncal em protesto, porque o Banco da Venezuela (BDV) não aceita depósitos com notas de 100 Bs. Os manifestantes obrigaram os comerciantes das ruas Monágas, Chimborazo, Azcúe, Bolívar e Bicentenário, a fecharem as portas, reclamando que a situação também os afetava.
Através das redes sociais, os utilizadores dão conta de tentativas de pilhagem de lojas de roupa, calçado, bijutarias e alguns restaurantes.
Funcionários da Guarda do Povo (polícia militar), da Guarda Nacional Bolivariana (polícia militar) e de duas polícias locais reforçaram a segurança para impedir que a manifestação se transforme em violência.
Em Santa Bárbara de Barinas (oeste de Caracas), terra natal do falecido líder socialista e ex-presidente da Venezuela Hugo Chávez, segundo a imprensa local, dezenas de pessoas tentaram saquear um camião de transporte de notas.
Fontes não oficiais dão conta de que pelo menos quatro pessoas terão ficado feridas e que os motoristas terão disparado contra os saqueadores.
Em Puerto La Cruz (leste de Caracas), há informações de tensas manifestações porque os bancos locais impediram as pessoas de levantarem dinheiro e que a polícia deu instruções aos comerciantes para encerrarem as lojas.
Situações semelhantes ocorreram hoje um pouco mais a sul, na regiões de Tumeremo e San Félix, no Estado venezuelano de Bolívar.
Fotos divulgadas pela Internet dão conta que nesta localidade dezenas de pessoas tentam romper a grade da porta de um supermercado de chineses e tentaram entrar pela força.
Os protestos de rua e as tentativas de saque ocorreram também em várias ruas de Tucupita.
Em Maracay, no Estado de Arágua (100 quilómetros a oeste de Caracas), a população queixou-se de que não pode pagar o autocarro porque os motoristas não aceitavam as notas de 100 Bs.
Em Valera (oeste da capital), dezenas de pessoas bloquearam a central Avenida 10, para exigir que o banco estatal BDV receba as notas que não foram depositadas, com os manifestantes a dizerem aos jornalistas temer perder as poupanças que tinham guardado em notas de 100 Bs.
O Presidente da Venezuela ordenou, domingo passado, que as notas de 100 bolívares (0,15 euros) sejam retiradas de circulação, para alegadamente combater máfias internacionais (norte-americanas, colombianas, europeias e asiáticas) que estariam a armazenar ilegalmente aquelas notas, para desestabilizar a economia venezuelana.
Segundo o Banco Central da Venezuela, existem 6.111 milhões de notas de 100 bolívares em circulação na Venezuela, aproximadamente 48% do dinheiro que circula entre a população.