Aproximamo-nos rapidamente da data 20/12. No frenesim dos dias que antecedem o Natal, convém não esquecer o que aconteceu exatamente há um ano atrás: a resolução do Banif. Nos últimos doze meses correu muita tinta sobre o fim do banco que representava 1/3 do mercado regional. Depois da comissão parlamentar de inquérito, continuam por responder muitas perguntas. A meu ver, a mais sensível e mais importante de todas é a seguinte: como resolver o problema dos Lesados do Banif que em matéria de segundos viram desaparecer as suas poupanças de uma vida inteira?

A Associação de Lesados do Banif entregou esta semana na Assembleia da República uma petição muito pertinente. Contém uma série de propostas concretas para fortalecer os direitos e as proteções dos investidores não-qualificados. Para os Lesados do Banif estas propostas já vêm tarde. Os danos financeiros e psicológicos foram infligidos a 20/12/2015. Mas, mesmo assim, a Associação não ficou de braços cruzados, procurando contribuir de forma proativa para que outros não tenham o mesmo desfecho que o seu. Contudo, isso não pode significar que a sua causa específica seja esquecida.

Relembrar o Banif é sublinhar que milhares de famílias na Madeira, nos Açores e na emigração continuam sem resposta para a consequência da resolução do Banif a favor do Santander Totta, relativamente às obrigações subordinadas que subscreveram, muitas vezes em condições de misselling.

Relembrar o Banif é não esquecer as promessas políticas que foram feitas. O Primeiro-ministro na sua habitual “palavra dada, palavra honrada” prometeu uma solução digna para os Lesados. Resultado? Zero soluções até à data.

O Presidente do Governo Regional da Madeira enviou em setembro deste ano uma carta ao Primeiro-ministro com uma proposta de solução concreta e viável. Carta essa que permanece sem resposta de São Bento.

Um ano depois: os Lesados do Banif continuam à espera. A geringonça tem memória? Nós não esquecemos.