A um ano das eleições que mais candidatos exigem, a Madeira também já segue o ritmo das candidaturas – o que envolve todas as forças políticas, com muito candidato a candidato a valer-se de tudo o que estiver à mão.
É um ciclo que se repete, quase sempre igual, mesmo que vão mudando algumas figuras. O nervosismo tem extravasado a esfera partidária, para contagiar outros sectores da sociedade, porque tudo está relacionado.
Não é caso para dizer-se que é “só na Madeira” que isto acontece. Um pouco por todo o lado no País, o fenómeno repete-se e acumula episódios, uns mais interessantes que outros, com alguns exemplos bem dispensáveis.
Mas esta agitação faz todo o sentido. As Eleições Autárquicas acabam por ser as mais genuínas e mais agitadas por envolver um maior número de candidatos, com pessoas que os eleitores conhecem do dia-a-dia e pela proximidade que tudo isso envolve.
Há um ciclo vicioso que se repete, com ajustes de contas a vários níveis. Cada partido – agora até em ‘movimentos’ e coligações – segue as suas lógicas, com facções que se vão revezando entre vitórias, quase vitórias e derrotas e fracassos. Há caras e expectativas pessoais que perduram há anos, repetindo-se, revezando-se.
Há também um mar de contradições, alianças que se fazem e se desfazem ao sabor de caprichos, derrotas esquecidas e vitórias que perduram mais do que seria razoável.
De tudo isto emerge uma dúvida que pode incomodar: o que é que move toda esta gente, para além da compreensível e legítima apetência pelo poder e pela vontade de melhorar as condições de vida num determinado concelho ou numa simples freguesia?
Uma coisa é certa: já estamos em pleno ciclo autárquico, outra vez.