O chefe de Estado francês, François Hollande, apelou hoje ao Presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, para que “respeite os compromissos” assumidos no acordo sobre as alterações climáticas assinado no final do ano passado em Paris.

“Os Estados Unidos, primeira potência económica mundial, segundo maior emissor de gases com efeito de estufa, devem respeitar os compromissos que foram assumidos”, afirmou o presidente francês, arrancando os aplausos da plateia reunida na COPP22 -- a vigésima segunda Conferência das Partes das Nações Unidas para as Alterações Climáticas, que decorre desde o passado dia 7 e se prolonga até sexta-feira em Marraquexe, Marrocos.

“Não se trata apenas do dever [dos Estados Unidos], é do seu interesse e do interesse da população norte-americana”, mas também das “empresas norte-americanas que investiram na transição ecológica”, assim como das “cidades e dos Estados federados que se mobilizaram”, acrescentou Hollande.

Os Estados Unidos em setembro último, mas também países como a China e a Arábia Saudita, ratificaram já o Acordo de Paris, um dos temas escolhidos por Donald Trump para atacar a política externa da administração democrata durante a sua campanha na corrida à Casa Branca, deixando claro que rasgaria o acordo se viesse a ser eleito.

A França, afirmou hoje o seu chefe de Estado, “levará a cabo esse diálogo com os Estados Unidos e com o seu novo Presidente, com a abertura e respeito, mas também com exigência e determinação” e “em nome” da centena de países que já ratificaram o Acordo de Paris.

O acordo de Paris é “irreversível à luz do direito e dos factos”, mas também “nas consciências”, sustentou François Hollande.

“A falta de ação seria desastrosa para o mundo, desesperante para as gerações futuras e perigosa para a paz”, sublinhou ainda o Presidente francês, evocando as migrações, fomes e conflitos que resultarão da acentuação das alterações climáticas.

“Portanto, agir a favor do clima é garantir a segurança e a estabilidade no mundo”, insistiu Holande, saudando “o papel de Barack Obama (...), crucial para a obtenção de um acordo em Paris”, assinado por mais de 190 países na capital francesa em dezembro de 2015.