A primeira coleção pública internacional de peças de design internacional está a ser criada nas Caldas da Rainha a partir de uma das quatro exposições que, até dezembro, integram a bienal cerâmica Molda.
Intitulada “Primeira Escolha”, a exposição, com curadoria de Fernando Brízio, reúne projetos de 50 designers de vários países e resultará “na primeira coleção pública adquirida peça a peça”, disse à agência Lusa João Bonifácio Serra, comissário da Molda, a primeira bienal do projeto Caldas Cidade Cerâmica.
A exposição, patente no Museu José Malhoa, vai permitir constituir uma coleção que procura, segundo o comissário, “a partir da análise da produção cerâmica, pensar alguns momentos transformadores do design dos últimos anos”.
A coleção integra autores como Bethan Laura Wood, Filipe Alarcão, Front, Hella Jongerius, Marco Sousa Santos, Martin Baas, Maxim Velcovsky, Martin Azua,
Miguel Vieira Baptista, Konstantin Grcic, Scholten & Baijings, Studio Glithero e Unfold, entre outros.
A Molda, que se desenvolve em quatro eixos de programação centrados na indústria, coleção, design contemporâneo e escola convidada, integra ainda a exposição “Animais na Cerâmica Caldense”, com curadoria de Margarida Elias.
Trata-se da representação de animais na cerâmica caldense dos séculos XIX e XX, com base na coleção de João Maria Ferreira, apontada por Bonifácio Serra como “uma das coleções particulares mais importantes”.
A mostra reúne desde cerâmica arcaica à arte contemporânea, da autoria Manuel Mafra, José Alves Cunha, José Francisco de Sousa, Rafael Bordalo Pinheiro, Avelino Belo, Hansi Stael ou José Aurélio.
A coleção de cerâmica industrial da Molde Faianças (a fábrica convidada da edição deste ano) é outras das propostas da bienal que, através do acervo de peças adquirido pela câmara das Caldas da Rainha mostra o percurso da empresa fundada em 1988 e que “é hoje a única fábrica do concelho que resistiu apenas com produção de louça utilitária, sobretudo para exportação”, ressalvou o comissário.
Já a escola convidada, a Escola Superior de Arte e Design das Caldas da Rainha (ESAD.CR) mostra na Casa dos Barcos, no Parque D. Carlos I, as práticas pedagógicas e os resultados do Curso de Design de Produto -- Cerâmica e Vidro.
Os alunos participam ainda numa intervenção urbana que resultará no revestimento azulejar da fachada de duas empenas de edifícios da Praça da Fruta, integrado no projeto de regeneração urbana desenvolvido pela autarquia.
A bienal, que integra a programação dos anos pares do projeto “Caldas cidade cerâmica” culminará, até ao final do ano, com “a publicação dos catálogos das três primeiras exposições”, adiantou Bonifácio Serra.
O projeto Caldas cidade cerâmica prolonga-se até 2020 e é a base de uma candidatura à Unesco como “cidade criativa do artesanato e arte popular”.
Abarca a realização, em 2016, 2018 e 2020, da bienal Molda, integrando as exposições, simpósios internacionais e feiras de produtos cerâmicos e o fomento da criação artística em torno da cerâmica.
Nos anos ímpares as iniciativas serão mais viradas para a produção e investigação.
A iniciativa implica um investimento superior a um milhão de euros, dos quais a autarquia assume 500 mil euros sendo o restante suportado através de candidaturas a fundos estruturais e patrocínios.
