De certeza que todos vós já lestes e ouvistes falar neste tema variadíssimas vezes. No entanto, o mesmo pode ser considerado recorrente, muito em especial nos tempos que atravessamos cujas dificuldades são imensas: económicas, sociais, e de valores, para uma organização – pública ou privada –, ter sucesso implica imensas variáveis. Desde logo, os recursos (humanos e materiais), a política do sistema de gestão, o orçamento, etc., mas sem boas lideranças o sucesso fica mais distante. Então, o que se entende, nas teorias e também pela minha experiência, ser um bom líder é aquele: que, desde logo e em cada manhã, acorda motivado para o trabalho; que, perante os problemas, procura agir com rapidez, encontrando as melhores soluções; que sabe que uma das suas mais importantes missões é ajudar a formar (coaching) os seus colaboradores motivando-os nos momentos mais difíceis com palavras de estímulo e elogio; que promove quem merece (o que só pode acontecer no privado); que é capaz de lutar para defender a sua equipa; que é criativo e não se acomoda, procurando sempre adquirir novas competências; que é sincero e, dessa forma, consegue unir a sua equipa; que é capaz de “lapidar” os seus “diamantes”, utilizando os talentos de cada um para a complementaridade da equipa; que respeita os seus colaboradores, mesmo quando tem de chamá-los à atenção; que se alegra com os sucessos comuns e fica, naturalmente, triste com os insucessos; que é capaz de delegar tarefas difíceis naqueles em quem confia, não esquecendo que a importante missão do líder é formar quem o possa substituir. Para tal, deve ser um exemplo de inspiração para os outros. Pelo que oiço e presencio, estas teorias não se aplicam na grande maioria das organizações. Em vez de líderes, temos “chefes” que se preocupam única e exclusivamente com o “negócio” e com o “lucros”, esquecendo-se que o maior “capital” de uma organização são as pessoas que a integram. Não têm qualquer pejo em transformar os seus colaboradores em “trabalhadores”, que mais parecem “escravos”. Podemos referenciar apenas algumas das situações que mais acontecem nos dias de hoje: (1) precariedade laboral – a incerteza provocada pelo carácter temporário do vínculo contratual a que o trabalhador está sujeito - é considerada, por entre as práticas empresariais laborais, como a “medida de gestão” mais adequada para os recursos humanos. No entanto, está entre as situações que mais problemas causam ao nível da sinistralidade laboral -; (2) ordenados muito abaixo das competências de cada um – é comum vermos licenciados e até outros com mais graduação a serem abonados com o ordenado mínimo -; (3) ausência de um horário de trabalho – sai que há casos em que os “trabalhadores” são obrigados a trabalhar mais do que as 8 horas diárias, sem quaisquer compensações. Esta situação leva a que imensos jovens altamente preparados e formados imigrem, para poderem ver reconhecidas e valorizadas as suas competências -; (4) clima laboral altamente conflituoso e negativo – colegas contra colegas com o objetivo de agradarem ao “chefe” e verem assim o seu contrato renovado -; (5) o bulling no local de trabalho – a exposição dos trabalhadores a situações humilhantes e confrangedoras através de relações hierárquicas autoritárias e assimétricas, com o intuito de forçar a desistência do emprego -; (6) mobbing ou assédio moral no trabalho – sequência de comportamentos de perseguição e terror psicológico que causa danos na saúde física e psicológica da vítima, com o mesmo objetivo de levar o trabalhador a rescindir o seu contrato, o que, juridicamente, seria considerado por “justa causa”. Termino esta minha partilha com a citação de Shakespeare: “para o trabalho que gostamos, levantamo-nos cedo e fazemo-lo com alegria”. Pois, mas para que tal aconteça, os trabalhadores (colaboradores), devem ser tratados como PESSOAS.