A Secção Regional da Ordem dos Engenheiros Técnicos ganhou uma nova sede no Funchal e o facto de terem reabilitado um prédio já existente na Rua da Carreira, trouxe à cerimónia a questão da importância da reabilitação urbana. Contudo, apesar de “importante”, disse Miguel Albuquerque na ocasião, a reabilitação urbana “obriga a que a nossa Região tenha uma estratégia de crescimento económico”, pois “sem uma estratégia de crescimento económico nada disto se consegue”.

O presidente do executivo regional garantiu que a Região tem uma estratégia que está a prosseguir de consolidação das suas finanças públicas e recorda que “não é possível traçar qualquer objectivo de recuperação económica ou de empregabilidade da sua população sem ter as finanças e credibilidade na gestão” das mesmas.

Congratulou-se pela “grande credibilidade” que a Madeira tem conquistado, graças à publicação trimestral das contas públicas. “Esta reabilitação, consolidação e sustentabilidade das finanças públicas é fundamental para podermos desenvolver um conjunto de políticas de desenvolvimento, desde a atractividade fiscal até os incentivos necessários, empresariais e aos agentes económicos para o desenvolvimento e crescimento económico, e, simultaneamente, para termos sustentabilidade nas áreas sociais, na saúde e na educação”, referiu. “Estas três valências que estão interligadas são decisivas e estão a ser cumpridas como objectivo de crescimento económico da nossa Região.”

Para o presidente da Secção Regional da Ordem dos Engenheiros Técnicos, Duarte Marques o novo edifício representa uma “velha aspiração” dos Engenheiros Técnicos da Madeira, agora materializada “num espaço multi-funcional e que está ao serviço de todos os membros da nossa Ordem Profissional”. “A Ordem passou das palavras aos actos e fez daquele que tem sido um apelo repetido à reabilitação urbana a sua prática”, rematou.

O presidente da Câmara do Funchal, Paulo Cafôfo, por sua vez, lembrou que “temos enormes desafios pela frente”, sendo que o próxima década “é o da regeneração urbana e isso é o desafio das câmaras municipais, do Governo Regional, do Governo da República e de toda a sociedade”. A reabilitação urbana tem sido uma preocupação para a autarquia, admitiu e sublinhou que a CMF criou “uma área de reabilitação urbana com 1.900 prédios identificados, que está associada ao programa ‘Cidade com Vida’, com benefícios muito interessantes para quem quer reabilitar”.

Para Cafôfo, a “reabilitação urbana é a chave também para podermos ter aqui a criação de emprego e a criação de riqueza”. “Temos de apostar no sector da construção e a reabilitação é, dentro da construção, é a área que mais emprego cria. O sector público tem que criar oportunidades, mas também tem que dar o exemplo. Nós próprios, enquanto câmara municipal, temos que dar o exemplo”, disse o autarca.

O Bastonário da Ordem dos Engenheiros Técnicos, Augusto Guedes, esteve presente na cerimónia e lembrou que “temos que potenciar todo esse enorme património que temos e não continuar a cultura do novo, estragando território virgem, criando problemas de urbanização, transportes, tudo isso.”

Por isso, provocou “todos os presidentes de câmara a assumirem um protagonismo maior na reabilitação do património edificado”, revelando que foi feita uma proposta à Assembleia da República para que todos os proprietários que não cuidem dos seus prédios, que não cumpram a legislação sejam penalizados por não conservarem o seu património. “E portanto, esse é um desafio que eu também lançava ao Governo Regional, porque cabe ao Governo Regional poder mexer no artigo 555 e dizer que todos aqueles que têm património e que não o reabilitam, no incumprimento da lei, devem ser penalizados por isso”, lançou.