“Qual a fauna marinha mais característica da nossa costa? Como é que a força do mar condiciona quem nele vive? Quais as aves mais comuns na Laurissilva? Como se avalia a idade de uma árvore? E de uma floresta?”. Estas e outras perguntas estão a ser respondidas aos alunos do curso de Biologia da Universidade da Madeira em contacto directo com a natureza.
De acordo com uma nota informativa divulgada hoje pela UMa, as respostas também existem nos manuais mas “mas por muito bom que sejam esses manuais, dificilmente conseguem competir com a emoção de aprender sobre a biodiversidade onde ela existe, na natureza.”
Assim, acrescenta aquela informação, durante cinco dias os alunos participaram na primeira edição do Laboratório Natura, a nova aposta do curso que visa proporcionar aos futuros biólogos uma visão única da biodiversidade madeirense. “A nova unidade curricular, totalmente lecionada fora da sala de aula, leva os alunos numa viagem desde o nível do mar até ao coração da floresta Laurissilva, Património Mundial Natural da UNESCO e casa de inúmeras espécies exclusivas da nossa ilha”, informa a Universidade.
“Que a Madeira possui uma riqueza natural ímpar no contexto europeu não é novidade, no entanto, são poucos aqueles que conseguem ver para além do azul e verde e identificar as plantas e animais que nos rodeiam”, acrescenta o comunicado citando Ricardo Rocha, um dos docentes envolvidos na cadeira. “O objectivo desta cadeira vai, no entanto, muito além de fornecer aos alunos o conhecimento necessário à identificação de espécies. O principal objectivo é que através da observação directa das espécies e da forma como estas se relacionam entre si e com o meio, os alunos sejam capazes de formular questões científicas pertinentes e que experienciem in loco alguns dos métodos usados para ir de encontro às mesmas”, acrescenta Thomas Dellinger, o regente da cadeira, citado também no mesmo comunicado. “Só a Madeira, com a sua proximidade física de habitats muito diversos, desde o mar à serra, permite que se possa em poucos dias dar uma visão alargada da biologia aos alunos”, acrescenta.
“O trabalho de campo beneficiou de um protocolo recentemente assinado entre a Faculdade de Ciências da Vida da Universidade da Madeira e o Instituto das Florestas e Conservação da Natureza, que permite aos alunos e docentes da UMa o acesso às instalações do instituto para fins lectivos e para trabalhos de investigação. Nesta edição do Laboratório Natura os alunos tiveram possibilidade de conhecer a Área Protegida da Ponta de São Lourenço, pernoitando na Casa do Sardinha e na zona florestal em torno do Parque Florestal das Queimadas, pernoitando nas casas de abrigo aí existentes. A embarcação da Universidade BIOMAR II deu apoio logístico à parte marinha da cadeira e à visita ao Ilhéu do Desembarcadouro.”
