O Estado brasileiro de Roraima, que faz fronteira com a Venezuela, criou um Gabinete Integrado de Gestão Migratória para atender os mais de 30 mil venezuelanos que emigraram ilegalmente para o Brasil, avança hoje a imprensa local.

O gabinete foi criado na segunda-feira, por decreto, pela governadora Suely Campos, que pediu ajuda ao Governo federal do Brasil, para atender a crescente chegada de venezuelanos.

Em causa estão os altos custos para garantir serviços de saúde e educação, e para atender os problemas sociais originados por uma migração sem controlo.

“O município não tem condição de absorver um grande número de pessoas que vão fazer compras e eventualmente trabalhar (...) É necessário que nos ponhamos de acordo para tentar resolver os problemas criados ou agravados por esta imigração. Trata-se de algo importante para a qualidade de vida dos povos”, disse a governadora aos jornalistas.

O pedido foi hoje debatido, em Brasília, entre Suely Campos e o ministro da Justiça, Alexandre de Morais, num encontro em que esteve ainda presente o secretário de Justiça, Uziel Castro e o deputado federal Hiran Gonçalves.

O gabinete integra 25 secretarias e instituições administrativas de Roraima, em coordenação com a Defesa Civil e o Corpo de Bombeiros.

Dados não oficiais dão conta que nos últimos três anos mais de 30 mil venezuelanos cruzaram a fronteira até Boavista e Pacaraima, tentando escapar da crise político-económica e social que afeta a Venezuela.

Entretanto, informações oficiais, dão conta que 1.805 venezuelanos pediram refúgio, em Roraima, desde janeiro de 2016, o que representa um aumento de 7.000% que os pedidos registados em 2015.

Segundo o chefe da divisão de operações de emergência da Defesa Civil local, Emerson Lima, desde 2015 que aumentou o número de imigrantes venezuelanos que visitam Roraima à procura de melhores condições de vida.

Entre eles encontram-se também venezuelanos - e alguns portugueses -, que vão até ao Brasil, fazem férias, permanências nalguns casos prolongadas, compram alimentos e depois regressam a Caracas.

“Vamos fazer o cadastro do imigrante, para ter um controlo da quantidade de venezuelanos que vivem no Estado. Também vamos fazer o levantamento documental dos que têm habilidades específicas para poder encaminhá-los melhor para o mercado de trabalho e dar-lhes assistência básica”, explicou Emerson de Lima aos jornalistas.

Segundo a governadora as autoridades estão a verificar onde poderão abrigar temporariamente os venezuelanos.