Os números publicados ontem pelo DIÁRIO só podem surpreender os distraídos. Desde há vários anos que se assiste a uma descida gradual do valor depósitos, assistindo-se a uma ‘deslocalização’ das poupanças de muitos dos nossos conterrâneos.

Os erros de avaliação remontam aos anos, bem recentes, de quando Portugal e a Madeira se julgavam ‘ricos’. Nesse período áureo juntámos ao tradicional desrespeito pelos Emigrantes – um complexo mal resolvido que se pode sintetizar na palavra inveja – a grave subestimação daquilo que representavam para a nossa economia.

No que à Madeira diz respeito, não se percebe o porquê de uma tendência generalizada para a desconsideração dos nossos conterrâneos, sobretudo quando em visita à terra, para gozo de férias ou reencontrar familiares e amigos.

Mas é no plano estritamente económico que não se entende as razões do desperdício de oportunidades. Em vez de se facilitar, o País e a Região parece que decidiram complicar, burocratizando ainda mais os processos já de si excessivamente burocratizados; tivemos muitos departamentos públicos, nas autarquias e noutros órgãos, especializados em dificultar coisas simples, em complicar operações que já eram sofisticadas, com alguns funcionários públicos a demonstrarem uma certa apetência essas tarefas.

Mal sabiam que, mais tarde ou mais cedo, receberíamos o troco. Que até veio mais cedo, primeiro porque as autoridades nacionais decidiram agravar algumas condições, depois porque os malabarismos com o BES e com o BANIF acabaram por desbaratar a confiança que começava a escassear.

Dentro de poucos anos, se não for feito mais do que aquilo que Miguel Albuquerque já começou a fazer, veremos os filhos dos nossos Emigrantes a colocar uma pedra sobre o saudosismo e as injustiças. Bem longe daqui.