Perdendo minha fé, pelas barbaridades que vemos e ouvimos da parte de quem as deveria saber melhor transmitir: alguns padres. Recentemente ouvi um cónego dizer que os valores monetários arrecadados para a Festa do Senhor não eram suficientes, faltavam segundo ele, €3000 para toda a ornamentação e fogo necessário. Depois de apelar às consciências dos (in)fiéis, remediou a situação: menos flores e sem foguetes. Fácil. O discurso não entusiasma e neste momento já não acompanho o resto da homilia, apesar de presente fisicamente, infelizmente a minha cabeça já anda muito longe dali, pensando em tudo menos no que ali me trouxe.

Dois meses depois temos o Senhor dos Milagres, a maior demonstração de fé da Madeira, com milhares de pessoas que demonstram a sua crença numa jornada de emoção e pagamento de promessas. Felizmente nas missas já não há contas, financeiras entenda-se, não se fala em valores, monetários claro, é momento de celebração. O que me levou a escrever estas linhas foi também ver a azáfama e velocidade que as senhoras, voluntárias, apagavam as velas deixadas junto à Capela do Senhor dos Milagres pelos fieis de modo a “pagar” as promessas que tinham feito. Apagadas, agrupadas e toca a arrumar as velas que reciclar é preciso. Sabem a nova dos 3R’s. Respeito. Revolta. Rico.