Algumas pessoas importantes e vistas como figuras públicas estão presas ao seu individualismo e tem sido habitual ver que muitas pouco ou nada se importam com os problemas dos outros. Agem estas pessoas como se o sofrimento dos outros só aconteça com os outros e nunca lhes venha a atingir, garantidas que se acham dentro de um mundo que consideram só seu. Uma visão absolutamente oposta teve Cristiano Ronaldo (CR7) para com a sua terra natal “ É com um aperto no coração que assisto ao que se passa na Madeira (e em outros pontos do país). Muita força para todos e um obrigado aos bombeiros que têm a coragem de arriscar as suas vidas para salvar tantas outras. Estou convosco!”. Se bem estão lembrados CR7, escreveu esta frase na sua conta do Facebook aquando dos trágicos incêndios que assolaram a nossa linda e briosa cidade do Funchal, abrangendo também os concelhos da Calheta e Ponta de Sol. E claro que ao falar de CARIDADE e de HUMILDADE é inevitável falar de CR7. Lá está, não posso dizer que o conheço bem, mas já me cruzei algumas vezes e sei quem é (madeirense de gema) e ficará para a história como um dos símbolos da identidade portuguesa como são Fátima para os católicos e Amália Rodrigues pela música. Ao longo dos vários anos da sua carreira, CR7 foi sempre um jogador seguido por uma enorme legião de fãs, mas também nunca escapou a uma enorme lista de invejosos, incluindo aqui de forma lamentável alguns madeirenses. Oxalá continuemos a aprender com CR7 estas virtudes fundamentais das relações humanas, da sua humildade, da sua boa vontade em ajudar quem precisa, da sua caridade, como tem acontecido ao longo destes últimos anos para com a nossa Ilha da MADEIRA e não nos contentemos com admirar apenas o seu génio futebolístico. Dito isto, a presente tragédia por si só não necessitaria certamente de qualquer outra justificação, embora seja um assunto por demais repetido, sempre é bom que referenciemos sobre instituições que tiveram por mérito na atuação e na proteção de pessoas e bens durante o combate aos inúmeros incêndios que se atearam no Funchal em agosto passado. É importante para que se mostre que este trabalho e este tipo de atuação não é um trabalho unicamente da proteção civil, dos bombeiros, das polícias, da cruz vermelha, mas de um conjunto de setores que forma um sistema que deve trabalhar harmonicamente e em prol da sua população como ficou demonstrado. (daí as justas homenagens merecedoras do reconhecimento público das autoridades e dos cidadãos, não podendo esquecer a Imprensa, que foi também incansável no elogio e reconhecimento do mérito e labor dos voluntários incluindo naturalmente a minha PSP). Mas dito isto, também, surgem desde logo perguntas inevitáveis, a começar, naturalmente, pela mais óbvia de todas elas: como foi possível acontecer tamanha tragédia – aquela que passa a constituir, em minha opinião, o maior tormento que assisti até ao momento na nossa ilha? A resposta está, antes de mais, no verdadeiro ritual que acresce à complexidade - há um sem número de hipóteses de mão criminosa que passa por vinganças pessoais; as sequelas da última lei sobre baldios; queimadas ilegítimas ou mal realizadas; pirómanos (muitos deles reincidentes e já referenciados), questões resultantes de heranças e os eternos descuidos e negligências. No meio disto tudo, as polícias têm, como podem os leitores aperceber-se, muito por onde se entreter, algumas instituições têm que ajustar uma estrutura com comando centralizado e execução descentralizada; estabelecimento eventual de níveis diferenciados de decisão e linhas claras de autoridade especialmente na estrutura da proteção civil que coordena o combate aos incêndios, sobretudo pela falta de clareza. Isto é, não estão devidamente atribuídas responsabilidades de comando de que resulta uma evidente dificuldade na atribuição de meios e prioridades e especialmente no que concerne ao apuramento de responsabilidades, pelo que torna-se imprescindível combater o “complexo de quintinhas” (muito implantado!).

Adelino Camacho Dirigente da ASPP/PSP