Os elevados níveis de emissão de gases nocivos para a atmosfera, decorrentes do modelo de sociedade instalado, é hoje, finalmente, uma preocupação planetária. Na actualidade, é sabido que o maior contribuinte para este resultado devastador está na produção de carne, a qual contribui em 51% para as emissões de gases de efeito de estufa, ocupando também uma área que se cifra em quase 40% da superfície da terra, assim como ameaça diariamente inúmeros ecossistemas.
Esta actividade para além de destruidora em vários domínios é desnecessária a uma alimentação saudável para os seres humanos. Por outro lado não nos podemos esquecer do sofrimento infligido aos animais que estão neste inacreditável processo, os quais nascem com a garantia de terem uma existência completamente artificial e onde o sofrimento lhes é garantido. Se quisermos uma análise numa perspectiva economicista, a promoção e adopção de uma alimentação mais saudável é também decisiva para o equilíbrio do Serviço Nacional de Saúde visto que estaremos a trabalhar a jusante do problema, isto é, no âmbito da prevenção. No ano transacto, a Organização Mundial de Saúde (OMS) veio alertar para o perigo do consumo de carne processada e de carne vermelha, revelando que a ingestão de carne processada é cancerígena para os intestinos - com o mesmo grau de ameaça que o tabaco, o arsénico e o amianto - e que o consumo de carne de vaca ou porco pode também aumentar as probabilidades de cancro. Em face deste cenário, é urgente implementar uma melhor regulamentação e restrições para a publicidade alusiva a produtos não saudáveis ou com impactos negativos na saúde, a tributação agravada da produção pecuária intensiva e a promoção junto de escolas públicas e privadas de alternativas alimentares vegetarianas.
O movimento global “Segundas sem carne”, deve ser apoiado, pois é um projecto que visa contribuir para a tomada de consciência do impacto que o consumo excessivo de produtos derivados de animais tem sobre a saúde humana, a preservação do ambiente e no que ao bem-estar animal diz respeito. Concluindo, os hábitos alimentares adoptados actualmente pelos seres humanos, são desnecessários, cruéis e destruidores do necessário equilíbrio entre todos os ecossistemas existentes na Terra e paradoxalmente também eles estão na origem dos problemas de poluição com que hoje o planeta Terra se debate. Perante esta realidade, vão os governos continuar a assobiar para o lado, ignorando a maior fonte poluidora?
Fernando Rodrigues