Neste novo ano que se inicia, estamos em crer que as Artes e a Cultura terão um maior destaque. Se juntarmos as boas vontades das instituições públicas e privadas teremos, sem dúvida, o caminho facilitado para se atingir resultados que sejam, por um lado racionados e maximizados, e por outro, de qualidade e excelência. Se fizermos uma retrospetiva, podemos confirmar o percurso de qualidade e de sucesso de algumas instituições que promovem as artes e a cultura na RAM. Desde logo o Conservatório - Escola Profissional das Artes da Madeira que ao longo da sua história de 70 anos - a celebrar a 13 de novembro deste ano -, tem formado e continua a formar excelentes artistas de palco; a Orquestra Clássica da Madeira com 52 anos de vida - a celebrar a 13 de fevereiro deste ano -, que apesar de alguns percalços, está na senda da qualidade, com a apresentação de bons concertos, com excelentes intérpretes e maestros; os projetos de educação artística no ensino genérico - curricular e extraescolar - desenvolvidos pela Direção Regional de Educação/DSEAM, únicos no País e de referência europeia, também fazem o seu percurso de 36 anos, promovendo as artes desde a mais tenra idade - constituindo uma base sólida para o aumento das práticas artísticas aos níveis profissionais, amadores e de educação de públicos. Graças a estes projetos, hoje constatamos não só um rejuvenescimento nos grupos de artistas amadores, mas também o proliferar de novos grupos por toda a RAM. De referir também outras instituições privadas e associativas que ao longo dos últimos anos se vêm destacando pela qualidade dos seus projetos; falo de algumas das bandas filarmónicas, grupos de música tradicional, grupos de teatro e de dança, entre muitos outros. Como as verbas públicas não abundam, é importante que se avalie muito bem os projetos em desenvolvimento, apoiando, de forma continuada e segura, as instituições que, com os recursos mínimos, conseguem apresentar resultados relevantes para a comunidade. Até porque, distribuir, de forma equitativa, os parcos recursos públicos poderá ser um desperdício que em nada promove a qualidade das artes e da cultura. Hoje, mais do que nunca, será necessário questionar o “quanto custa e quanto vale”. Por outro lado, há que habituar o público a contribuir para a defesa da sua cultura e das artes. Os preços dos ingressos para os espetáculos na Madeira são muitíssimo mais baratos do que no resto da Europa, em especial nas grandes capitais. No entanto, ainda há poucos residentes que apreciam os bons espetáculos que aqui se promovem, contribuído com o seu ingresso para a viabilidade dos mesmos. Estamos certos que quer o Governo Regional, quer as Autarquias Locais, estão sensibilizados para a importância do desenvolvimento das artes e da cultura, e empenhados em garantir a continuidade dos projetos mais relevantes e com provas dadas. Fazemos votos para que neste novo ano se trabalhe mais em cooperação, interação e bom senso. Que se privilegie o elogio em detrimento da crítica, muitas vezes, com o cariz destrutivo. Que se “construa” em vez de “destruir”. É importante elogiar e agradecer àqueles que mais se dedicam à criatividade e à inovação. A motivação e a cooperação são fundamentais para o sucesso dos projetos e das organizações. Se todos contribuírem, teremos certamente mais um ano de magníficas produções. Um excelente ano com Artes e Cultura para todos.
Carlos Gonçalves, Investigador Integrado do INET-md (FCSH/UNL)