Andreia Gouveia Foi ontem publicada neste espaço uma carta do leitor que tem tanto de inverdade como de ridículo.

A carta aborda a eco-taxa turística aprovada pelo Município de Santa Cruz, depois de reuniões com os hoteleiros que foram tornadas públicas pela comunicação social e do regulamento ter sido aprovado em reunião pública de câmara e ter estado em discussão pública durante 30 dias, e ter sido ainda aprovado pela Assembleia Municipal, também em reunião pública. Ou seja , não foi uma medida aprovada à revelia dos hoteleiros, como o signatário encapotado da missiva quer fazer crer.

Da mesma forma, e ao contrário do que o título da carta indica, não está o JPP Juntos para o povo taxar, pois não é o povo que vai pagar, mas sim quem nos visita, e a taxa incide precisamente num dos sectores que na Madeira e em todo o país tem vindo a obter lucros crescentes e conta com boas perspetivas de negócio para os próximos anos.

Um sector, que, para mais, beneficia de isenções, concedidas pelo Governo à revelia das autarquias, e sobre impostos municipais, como é o caso do IMI. Será que alguém de boa-fé pode criticar uma taxa que vai apenas até aos cinco euros por pessoa, quando esta incide precisamente num sector isento de IMI, ao contrário do que acontece com as famílias portuguesas e madeirenses de baixos rendimentos, que lutam para poder pagar os seus compromissos e impostos.

A única coisa acertada que a carta tem é a referência ao Robin Hood, personagem de ficção que roubava aos ricos para dar aos pobres. Percebe-se o incómodo do PSD e seus correligionários nesta matéria, depois de anos de gestão em que ‘roubou’ aos pobres para dar aos ricos. Coisa que teriam continuado a fazer se tivessem ganho a Câmara Municipal de Santa Cruz, aumentando as taxas e os impostos para pagar a dívida criminosa que criaram, beneficiando e enriquecendo os grandes senhores do regime.

Lamenta-se a vossa tristeza e desorientação, mas as coisas agora mudaram. E, ao contrário do que querem fazer crer, a Eco-taxa turística não será o fim do mundo, mas apenas o começo de uma nova era, também para o turismo.

Falida como está, graças ao PSD e à sua má gestão, a Câmara de Santa Cruz não tem hoje meios para cumprir cabalmente a sua função e para garantir intervenções que são urgentes e que foram historicamente esquecidas. Falo, nomeadamente, de intervenções ao nível do urbanismo e do saneamento. Intervenções decisivas para quem aqui vive, mas também para um turismo de qualidade.

Qual é o mal de chamar um sector de atividade em franco crescimento a participar? O único mal será talvez o facto da Câmara de Santa Cruz ter sido a pioneira numa medida que estou em crer outros seguirão.