Coisa que já não surpreenda mas o futebol português voltou recentemente a ser alvo de grande polémica, após um tempo de acalmia e de tréguas. Tudo por causa das arbitragens. Na minha opinião não é só a competência dos homens do apito e dos observadores que está em causa pois outros interesses se levantam.
Sou dos que dou o benefício da dúvida aos árbitros quando eles têm de decidir em frações de segundo o que muitas vezes não conseguimos discernir após visualizarmos as imagens na TV. Estamos a falar de lances polémicos. Agora quando num jogo o mesmo árbitro beneficia um determinado clube com erros capitais em detrimento do outro, obviamente há coisas graves que assolam o futebol português.
Depois do Jorge de Sousa ter impedido que o Nacional beneficiasse de duas grandes penalidades contra o Futebol Clube do Porto, por erros demasiado evidentes, e com o árbitro em posição privilegiada para decidir, em Guimarães, foi o Benfica o grande beneficiado em lances de idêntica natureza e que poderão ter desvirtuado a verdade desportiva, num jogo dirigido por Carlos Xistra.
Este ano os três maiores clubes do futebol português já foram prejudicados e beneficiados pelas arbitragens, mas o que aconteceu no Nacional-Porto e no Guimarães-Benfica são erros demais evidentes, graves, e que tiveram influência no resultado.
O que eu não vi foi a revolta de Manuel Machado como aconteceu com Sérgio Conceição. De um lado um sorriso simpático mas sarcástico e do outro lado o sentimento de revolta de quem foi ‘roubado’. Manuel Oliveira quando em tempo denunciou essas falcatruas apelidou-as de ‘roubo de igreja’.
É por essas e por outras, e na razão de que são os árbitros internacionais que estão ligados a estes ‘caldinhos’ que não vamos estar presente no próximo europeu de futebol com juízes portugueses. Esperemos que a nova vaga de jovens árbitros portugueses seja acompanhada de novos e melhores dirigentes e observadores.
Do ‘xistrema’ da arbitragem para o sistema da segurança social. Há dias denunciei páginas de um caso de flagrante falta de humanidade e de sensibilidade para o caso de um pai, natural do Santo da Serra e de nome Martinho, e da filha Ana Rita, de Machico, que vivem ao relento e passam o dia a pedir ajuda no Continente de Água de Pena.
Esta gente precisa de ajuda o mais urgente possível. Pernoitam junto ao estábulo dos animais do circo e demoram diariamente quase duas horas a percorrer 1.000 metros porque o Sr. Martinho encontra-se muito debilitado e tem de parar muitas vezes no percurso.
Este pai e esta filha, não sendo ‘refugiados’, não têm família que lhes deite a mão. Antes viviam numa casa que não tinha água nem luz, mas o proprietário precisou do imóvel e desde Agosto (principalmente) que o martírio, a fome, a miséria fazem parte do seu quotidiano e das suas vidas.
Apesar de ter denunciado este caso publicamente e de ter feito o mesmo na delegação da segurança social de Machico, a grande verdade é que tudo continua como dantes. Quem tem a responsabilidade e ocupa cargos na área da segurança social tem de ter sensibilidade para atuar de imediato em casos como este que espelham a miséria humana. Fazer de conta que não vêem é que não.
Miguel Justino