Desde 2009, a Porto Editora promove a eleição da palavra do ano (http:/www.palavradoano.pt) sendo, uma forma de “sublinhar a riqueza lexical e o dinamismo criativo da língua portuguesa”. Em 2015, mais de 20.000 participantes elegeram a palavra REFUGIADO, com certeza em mais uma manifestação de sensibilidade para com os que arriscam a própria vida e procuram alcançar a Europa, horizonte de esperança para uma vida melhor. Ao saber desta eleição, lembrei-me de outros refugiados que considero oportuno destacar: certos políticos que se refugiam na imunidade parlamentar e retardam a clarificação dos casos judiciais em que se veem envolvidos, contribuindo para a aparente morosidade da justiça e desrespeitando a confiança que lhes foi depositada pelos eleitores. Certo jornalismo que se refugia na liberdade de expressão e informação para fazer fretes a interesses particulares, difundindo notícias cujo impacto determinaria o uso de maiores doses de bom senso.
Certos decisores que se refugiam nos antecessores e não revertem actos aprovados e ainda não executados, de forma a defender o verdadeiro interesse publico. Certos agentes desportivos que se refugiam nas arbitragens para justificar os maus resultados alcançados… Certos eleitos que se refugiam no desconhecimento da real situação para justificar a incapacidade para executar as promessas eleitorais, sem admitir o excesso de ambição no momento da promessa. Que no final de 2016 sejam sufragadas palavras como TRANSPARÊNCIA (nos actos), VERDADE (nas palavras), RESPEITO (mútuo), SOLIDARIEDADE (para com os menos afortunados), IGUALDADE (de oportunidades) pois significará que o nosso dia-a-dia foi repleto de práticas construtivas e grandiosos, sem que nos tenhamos refugiado no auto-reconfortante pensamento do “ele que faça que pode mais do que eu”.
Rui Gomes Coelho, Economista