Dita a hierarquia da praxe académica que um caloiro, depois da Monumental Serenata da Queima, passa a ser pastrano. Em gíria militar, é quase um 'soldado pronto' e verá a promoção confirmada na Latada do início do ano lectivo seguinte (castigue-me Dux se me enganei). É mais ou menos assim que estão o Governo Regional e o Novo PSD. Caloiros quase a deixar de o ser.

Por isso, já não se admitem caloirices básicas a quem está perto de completar um ano em funções. Até porque têm alguns repetentes entre eles e outros 'caloiros estrangeiros', vindos das câmaras, com experiência política.

Caloirices como a da senhora secretária do ambiente, água e similares que ainda não sabe o nome do líder do Bloco de Esquerda não têm explicação. Por onde andou estes anos todos? Nunca viu televisão ou leu jornais?

A função de governante é política e essa exige saber com quem se lida. E não só por uma questão de respeito. Só simpatia e sorrisos não chegam quando as coisas começarem a complicar.

Mesmo tendo entrado um pouco mais tarde, também já não se compreende a confrangedora dificuldade de comunicação do secretário da saúde. Treine em frente ao espelho, peça ajuda, mas assim é difícil levá-lo a sério.

Mais grave é a caloirice colectiva de uma equipa que se apresentou cheia de boas intenções, colocando fasquias para o salto à vara, mas que tinha todos os dados para saber que se arriscava a fazer salto em comprimento. Foram muitas promessas que, ou por má comunicação como no caso das viagens, ou por manifesta precipitação no avião cargueiro, acabaram por não conduzir aos resultados esperados.

Na assembleia foi melhor, menos caloirices grosseiras, mas nos últimos tempos há um sinal pouco animador: parece que está a regressar o estilo 'força bruta' de outros tempos de má memória.

E dois exemplos chegam. Primeiro, a fixação na câmara de Santa Cruz, onde o PSD, muito justamente, apanhou uma das maiores banhadas eleitorais da sua história, fruto de uma governação sem classificação. Os sucessivos ataques, quase todos disparatados, já metem dó.

Preocupante é o regresso de argumentos como “a oposição não sabe fazer contas”, “duplicam dívida”, “temos os melhores quadros”. Quando é que já ouvimos isto? Sim, foi antes de ser conhecido o descalabro das contas regionais e de se concluir que, na verdade, a oposição tinha somado mal a dívida: ainda faltavam mais 1.000 milhões.

Por isso, a poucos meses de deixarem de ser caloiros, façam por merecer a promoção. Não custa muito, é só pensar antes de falar e dizer asneiras.