“A rotina preconceituosa que afirmava ser a mulher inadaptada á prática desportiva, vai a pouco e pouco cedendo terreno… hoje a mulher procura ardentemente nivelar-se ao homem em todas as manifestações de vitalidade… [tendo consciência] de que o seu papel não se deve restringir ao espaço acanhado que vai da sala de costura á sala de jantar.”. Esta citação foi retirada de um artigo desportivo do jornal Sports do Funchal, datado de 4 de Agosto de 1926. Quase 90 anos depois, a visão de que a mulher não vive o desporto de forma activa ainda persiste.

“Liliana Faria vai ao ginásio todos os dias”, “Esta aula de samba é um abuso” ou “Anita (Rubim) foi à praia” são exemplos de artigos publicados nas versões digitais dos jornais desportivos portugueses, nomeadamente “O Jogo”, “Record” e “A Bola” e que de tão pouco interesse que despertam, acabam por ser lidos devido às imagens de mulheres esbeltas e com pouca roupa vestida que os acompanham.

A ideia de que o mundo desportivo foi pensado de e para os homens e de que no que respeita à sua implantação e o seu desenvolvimento cabe-lhes o domínio, quer enquanto dirigentes, quer como praticantes está ultrapassada, mas pouco.

Não sou feminista mas considero ridícula esta forma de disfarçar a realidade para que ela seja interessante e a forma como o fazem, usando a imagem da mulher, é, no mínimo, deselegante.

Mas isto vale para muitas coisas, em especial, para a tentativa de disfarçar a realidade, negativamente, para gerar notícia e interesse e para provocar o desentendimento e a discórdia.

Andreia Nascimento, Directora de Comunicação