Os últimos acontecimentos parlamentares e a comemoração dos quarenta anos do meu partido, levaram-me a reler os discursos e o pensamento político daquele que foi um dos fundadores do Partido Social Democrata.

Numa tarde de sábado, dou por mim, em frente de uma máquina de microfilmes, a ler os rolos da história jornalística da Madeira dos anos setenta.

Deparo-me com o dia vinte e um de julho de 1978, Francisco Sá Carneiro acaba de aterrar no aeroporto de Santa Catarina, vem à região, para participar no quarto aniversário do PPD/ PSD Madeira, no Paul da Serra, onde profere as seguintes declarações:” Em primeiro lugar quero saudar os madeirenses, dizer da minha satisfação por mais esta visita à Madeira e o grande interesse que o PSD mantém pela população das ilhas, pelo projeto que se vai realizar sob a direção do governo regional na concretização da autonomia e desenvolvimento desta comunidade”.

Era conhecida a paixão de Sá Carneiro pela Madeira, “o continental, mais madeirense” que chegou inclusivamente a afirmar publicamente que tinha adotado a Madeira como sua terra.

Três anos antes, a dezoito de maio de 1975, no Chão dos Louros, teve lugar a primeira festa do PPD/PSD Madeira, a estrutura nasce de uma forma completamente distinta da estrutura nacional e da estrutura regional dos Açores.

Na Madeira, o PPD/PSD M, surge de dois movimentos políticos, da Frente Centrista da Madeira e do Movimento Democrático pela Madeira, através de uma integração no partido nacional contratualizada, que salvaguarda a autonomia estatutária dentro da organização a nível nacional.

A doutrina da autonomia regional estatutária e a exigência de colocar em primeiro lugar a Madeira e depois os partidos, está bem presente na negociação da integração dos referidos movimentos no PPD/PSD nacional.

Por outro lado, Sá Carneiro tinha uma visão avant-garde do país, assente numa ampla descentralização regional e local, no desenvolvimento das autonomias e na participação de todos os portugueses num projeto de construção de uma nova sociedade.

Mas não há nada mais original e atual do que o personalismo de Sá Carneiro e a correspondência dessa visão social democrata com os anseios da autonomia.

Foi o PPD / PSD que melhor compreendeu a autonomia das regiões autónomas e que melhor a soube realizar e concretizar.

O PPD / PSD compreendeu que quando uma comunidade radicada num território tem condições e personalidade própria, tem de ser tratada como se fosse uma pessoa individual, com respeito pelas suas características próprias, pela sua autonomia, com respeito pela sua liberdade traduzida em autonomia política.

A originalidade da social democracia portuguesa, assenta no respeito pela diversidade da inserção espacial e temporal do homem na comunidade política.

É esta visão das autonomias, do personalismo e da social democracia em que nos revemos e foi esta a doutrina que permitiu à Região Autónoma da Madeira ser o que é hoje.

É uma grande honra ter a oportunidade de continuar com este grande legado, de poder pugnar por mais e melhor autonomia.

Continuarei a colocar os interesses da região acima de qualquer outro interesse e a defender a autonomia estatutária do PSD Madeira no PSD nacional.

Farei tudo para honrar a memória de Francisco Sá Carneiro e para honrar a memória de todos os que lutaram pela implementação deste projeto.

Autonomia Sempre !

Sara Madruga da Costa, Deputada do PSD na AR