Li com atenção, na edição do Diário de Notícias da Madeira de 19 de janeiro de 2016, que parte da bonita e pitoresca Freguesia de Câmara de Lobos será dividida por uma muralha. Em vez de um viaduto será construída uma muralha que, apenas e só, castra a visão primordial de quem vive numa Ilha, o mar. Só posso recorrer ao humor para classificar esta imponente decisão, quase tão imponente, como a muralha que tira o acesso dos olhos ao mar. Assim sendo, creio que a partir da conclusão desta maravilha passarão a existir duas “Repúblicas” nesta Freguesia. A República Democrática de Câmara de Lobos composta por empresários, serviços, restaurantes, esplanadas, mar e com hábitos e costumes citadinos e a República Federal de Câmara de Lobos composta por gente da terra que de boca em boca vão passado o saber com os provérbios que ficam na gíria e com a sombra que lhes calha. Gente que olha para o topo da muralha e pergunta quem os castra por detrás da luz. Uma muralha divide, castra e intimida. Uma muralha nunca é solução. P.S. O muro de Berlim, geograficamente, não dividiu a Alemanha toda mas ideologicamente sim.

Luís Filipe Santos