No passado dia 13 de janeiro, o Parlamento Regional foi palco de um debate consensual, sobre a proposta do JPP que recomendava ao Governo Regional a atribuição da designação de “Centro Náutico João Rodrigues” ao espaço consignado às atividades náuticas em São Lázaro, no Funchal.
Este espaço, enquanto “berço da náutica desportiva”, poderia ostentar o nome do atleta madeirense, campeão e vice-campeão do Mundo de windsurf, tetracampeão Europeu, com 121 internacionalizações e 51 medalhas conquistadas em competições internacionais (22 de ouro, 16 de prata e 13 de bronze). Consta, inclusive, do livro “Guinness World Records” e cimentou recentemente a sua liderança como o atleta mais olímpico de sempre do país. É de facto um grande atleta, merecedor desta justa homenagem.
Acontece, que após a exposição e fundamentação dos motivos que levaram o JPP a propor esta designação para o varadouro de São Lázaro, o entendimento foi, relativamente, consensual entre todas as bancadas parlamentares, incluindo a bancada da maioria PSD, tal como provam as afirmações da senhora deputada deste partido, no momento da discussão do diploma no Plenário e que passo a citar: “João Rodrigues é sem dúvida um motivo de orgulho para todos nós (…). É justo que se faça esta homenagem, e como já foi aqui expresso (…), também recolhe a aprovação deste grupo parlamentar”.
Mas, no dia seguinte, dia de votação, a bancada parlamentar do JPP, CHUMBA a iniciativa, demonstrando, claramente, qual a sua REAL intenção de voto. Ora, perante tal “transtorno dissociativo de identidade”, entendo que há um problema grave de aceitação das iniciativas que provêm de outras bancadas parlamentares, além de estar subjacente uma clara falta de consistência nas declarações proferidas. Afinal, o atleta João Rodrigues deixou de ser merecedor de tal homenagem da quarta para a quinta-feira?
Infelizmente, e é lamentável que assim seja, nos tempos atuais, como dizem os mais “experientes da vida”, a nossa sociedade perde Valores essenciais de dia para dia. E o exemplo, negativamente falando, partiu da nossa Casa da Democracia. Como diz o Povo, “já não há Homens de palavra como antigamente”.
Paulo Alves, Deputado do JPP