O novo governo decidiu acabar com os exames no 4.º e no 6.º anos de escolaridade e incluir no sistema de avaliação as provas de aferição, no 2.º, 5 e 8.º anos.
Os alunos deixam, simplesmente, de fazer um exame de português e outro de matemática e passam a realizar uma prova de aferição que não conta para nota.
Quem tinha explicações, apoios extra ou investido na compra de livros e fichas específicas para praticar apenas os conteúdos dos exames fica, agora, com mais disponibilidade emocional e tempo para adquirir novas competências, estudar e trabalhar também para as outras disciplinas.
Os professores, por sua vez, ficam com outras oportunidades para utilizarem mecanismos de avaliação diversificados, numa perspetiva formativa, estimulando, nos seus alunos, um desenvolvimento mais integral e justo. A escola deixa de ser pressionada a canalizar os seus poucos recursos ou a privilegiar o seu investimento nas duas disciplinas alvo de classificação externa.
Ao contrário do que defende a ex-ministra da Educação, Ferreira Leite, não quero uma escola que receba prémios por aplicar menos recursos financeiros, nem aceito a “cultura da nota”, nem da “cunha”, defendo a cultura da melhoria das aprendizagens e a cultura da escola holística que considera todas as facetas da experiência humana, procurando oferecer as melhores respostas a todos os tipos de alunos que chegam à escola, isto é, fomentando a cultura da inclusão.
Considero que o fim destes exames não será motivo para abalar o funcionamento das escolas e muito menos criar uma onda de facilitismo, antes pelo contrário, porque os professores, na sua maioria, responsáveis e profissionais, sabem distinguir a exigência da avaliação da mera classificação. Haverá uma sobrecarga de trabalho, sem dúvida, haverá mais provas, mais vigilâncias, mais correções, mais análise das dificuldades detetadas e a definição de práticas educativas alternativas, no entanto, o trabalho não assusta, já estamos habituados, o que nos preocupa, além da dimensão, excessiva, dos programas e da desarticulação curricular, é a falta de tempo, estabilidade, condições, recursos e meios para ensinar melhor.
Estas provas não são, todavia, o remédio universal para todos os males da do ensino básico. Aliás, dependendo do seu modelo e do nível de seriedade de quem as vai implementar, podemos cair nos mesmos erros pedagógicos anteriores, pois, os seus objetivos podem ser adulterados e transformados numa espécie de exames camuflados.
Rui Caetano