M.A.C. Andrade Hoje aqui me trazem algumas minudências ou nem tanto.

Seria bom que, ao chegar à Madeira, o viajante tivesse, logo ao sair do avião: um banho de cores; para além do banho de luz; sol suave; e ar ameno e aromático.

Sobretudo os visitantes provenientes de terras nórdicas e orientais da Europa, especialmente suecos, finlandeses e russos. E mesmo alemães, polacos e austríacos.

Porque eles vêm foragidos do gelo, do nevoeiro e dos céus cinzentos de chumbo. E, nos respetivos países não têm possibilidades de uma carícia solar, nos meses de Dezembro, Janeiro, Fevereiro e Março ou mesmo durante metade do ano nos mais extremados do norte e leste.

Quem teve a ideia de retirar dos taludes a sul da pista e jardins anexos do aeroporto algumas espécies de plantas ornamentais, arbustivas e não só, que lá existiam antes da nova pista? Refiro-me às manhãs-de-páscoa; cardeais (hibiscos); chuva de ouro; estrelícias; e aloés de flor vermelho vivo - aparentado com o de flor cor-de-telha (Aloe arborescens) que, este sim, ainda lá existe; e os dois são conhecidos vulgarmente por babosas, como aliás o de flor amarela (Aloe vera). E, meus senhores, como ignorar a manhã-de-páscoa? Ou não será esta a estrela e rainha do Natal, que resplandece de Outubro a Março. Buganvílias, sobretudo vermelhas, vêem-se muitas ao longo dos taludes. Ficam bem e dão alegria. Mas talvez sejam em demasia e em detrimento das que acima foram referidas e de outras.

Buganvílias que, muitas delas, vão exigir intervenção quando extravasarem do espaço desejável.

Quanto ao talude a norte da pista, nunca esteve bem guarnecido. Mas bem poderia ser algo de verdadeiramente belo. Será que aquilo tem de ser mesmo assim, por motivos de segurança ou outros que desconheço? Mas, a não ser por isso, poderia ficar um verdadeiro regalo para a vista se fosse ajardinado com as espécies já referidas e outras mais. E elas são tantas, que seria enfadonho estar aqui a especificá-las. Não há dúvida, porém, que permitiria ter-se ali um mostruário autêntico de plantas ornamentais (de folha e de flor), incluindo algumas indígenas. Tendo sempre em cada dia do ano alguma ou algumas espécies em floração. Acrescente-se ainda que essas plantas seriam de preferência daquelas espécies que dispensam intervenção ou que a necessitam apenas uma vez ao ano.

Que todos aqueles ajardinamentos fossem aprimorados e não só alguns. E enriquecidos com espécies de reconhecida beleza, como aquelas que referi e diversas outras. Não será que contribuiria para dar aos arredores da pista e da gare um colorido ainda mais alegre e festivo? Deixo à consideração de quem de direito. E não faltam orientadores e profissionais competentes para desempenhar essa tarefa. E certamente que os há na firma que tem a seu cargo a manutenção desses ajardinamentos.

O mesmo direi quanto às bermas da via rápida, até ao Funchal, desde o aeroporto. Como ainda noutras estradas. Certamente muitas pessoas lembram-se que no antigo regime a Junta Geral do Distrito Autónomo do Funchal, tinha a seu cargo a limpeza das bermas das estradas e os ajardinamentos das mesmas. Pelo menos desde os anos quarenta até 1974 (queda do regime) isto não foi descurado. Havia cantoneiros e outro pessoal, em diversas estradas, sobretudo nas de altitudes médias a elevadas, que se ocupavam dessa manutenção. Aquilo era uma profusão de novelos (hortênsias) e coroas-de-henrique (agapantos)! Era lindo de se ver. E esta atenção aos cuidados ornamentais em espaços públicos não é coisa de somenos importância numa terra de turismo. Pois faz parte da arte de bem receber. E esta sempre foi apanágio da Madeira. E para nós, aqui residentes, também é bom. Quem não gosta de ver coisas bonitas e bem cuidadas?