Tal como há um mês, ao retomar a minha colaboração no Diário, opto pelo tema ‘banalidades’, que continua a estar na berra, o que, por outras palavras, faz crer que ainda há muito pano para mangas....
A nível regional, dentre as notícias que me foram chegando, depois de quase 5 anos de boataria e de muita especulação, foi importante a confirmação da compra pelo Grupo Empresarial AFA de Avelino Farinha e Agrela, de 100% do capital e de todos os activos da Siet-Savoy, incluindo o Savoy Gardens e o Royal Savoy – propriedade que eram do Grupo constituído por Joe Berardo e pelos herdeiros de Horácio Roque – um negócio que permitirá, finalmente, ver avançar a construção do novo Savoy, oxalá, renovando uma tradição já centenária, na sequência do encerramento e da demolição iniciada há mais de 4 anos, do velho hotel e de todo uma área entre a Avenida do Infante e a Rua da Imperatriz Dona Amélia, até à Rua Favilla, nesse imenso espaço, hoje, sórdido ou quase, numa zona nobre do Turismo Madeirense que, a curto prazo, importa ver recuperada. Tal como neste espaço já escrevi em 15.07.2012, renovo o apelo para seja acautelado adequadamente o respectivo planeamento e, a este mesmo propósito, não obstante a aprovação do projecto se enquadrar nos planos de urbanização em vigor e respeitar as normas legais vigentes, ainda será tempo, para ponderar e levar-se a cabo uma revisão, em termos de volumetria, designadamente em termos de altura e de comprimento, evitando o ‘esmagamento’ da Avenida do Infante, numa acção, como hoje se diz, de ‘terrorismo estético’....
De âmbito mais geral, a nível nacional, não devo deixar sem referir, a eleição para a Presidência da República, no próximo dia 24 de Janeiro, a que concorrem 10 candidatos, um número recorde – que inclui 3 Senhoras – mas que, no fundo, com bastante boa vontade, em termos realistas, se limita a uns 4 candidatos credíveis, dos quais, um apenas se destaca e, obviamente, sairá vencedor.
Analogamente, de interesse nacional e, obviamente, para a Madeira, importa, como propôs o Primeiro Ministro, fazer-se uma revisão para reposição de alguns feriados suspensos por governos anteriores, que volta a ‘estar na berra’ e, foi já notícia, pelo que o seu debate está iminente, em resultado de uma proposta de “Os Verdes”, para que o dia de Carnaval seja declarado feriado obrigatório.
Numa perspectiva mais ampla e, vá lá, mais séria, viria a propósito, uma vez mais alertar para a necessidade de, a Assembleia da República, ponderar devidamente a questão da racionalização de todos os feriados – um tema que já anteriormente abordei – e, criteriosamente, importa que seja tomada uma decisão.
Uma tal perspectiva, deve merecer reflexão, tendo que ver, também, com a organização do trabalho, sem afectar os direitos dos trabalhadores. Nessa mesma perspectiva, a transferência da celebração de alguns feriados – na medida do possível – para uma segunda ou sexta-feira, colada a um fim de semana – prática que é, em muitos outros paises – bem se justificaria e poderia contribuir para o aumento da productividade nacional. Exemplo flagrante, note-se, é o Dia do Trabalhador, que poderia ser festejado na primeira sexta-feira de Maio, abrindo perspectivas mais amplas de celebração, ao abranger um fim de semana, do que na data fixa de 1 de Maio. Analogamente, o dia 10 de Junho, Dia de Portugal que, em termos de racionalização poderia ser mais abrangente – para celebrar, não só a nacionalidade, desde a Fundação à Restauração, mas também para evocar a implantação da República em 1910 e do Estado Democrático, em 1974 – se, por exemplo, se optasse por fazer o seu festejo, numa segunda ou numa sexta-feira de Julho, entre as datas das batalhas de Ourique e de Aljubarrota, colada a um fim-de-semana; seria uma celebração ao longo de 3 dias, uma ocasião rica de significado, para - sem esquecer o passado, com os olhos postos no futuro – comemorar-se Portugal. De igual modo, a tradicional celebração dos Dias dos Municípios, que são mais de 300, numa data fixa, para todo o País, a todos muito beneficiaria, com particular relevância, para munícipios limítrofes, em muito favorecendo as populações, de uma maneira geral.
Aceite esta formula de racionalização, restará, como é evidente, a celebração de certas ocasiões ou festas, que farão sempre excepção, como é, por exemplo, o Natal, o Ano Novo e a Páscoa, cuja comemoração, obviamente, apenas faz sentido, nas datas próprias.
Em suma, rematando, a racionalização a todos diz respeito e interessa, faz falta e não deve ser protelada.
Francisco Leite Monteiro