Miguel Pestana A Feira do Livro já não é o que era. Perdeu muita identidade. Nesta edição, calendarizada pelo segundo ano consecutivo numa época pouco convidativa, num período pós-férias em que os livros já foram comprados e lidos pelos veraneantes, numa altura de regresso às aulas onde os gastos foram todos para os manuais escolares, e a decorrer no início do Outono, que com ele traz quase sempre um tempo meteorológico incerto para passeios e compras ao ar livre. No primeiro domingo da Feira, à tarde, o ambiente que se vivia na Avenida Arriaga era o de uma Feira do Livro inóspita, com espaços pouco acolhedores, onde no palco principal músicos e bandas tocam músicas para uma plateia sem público e num lugar recôndito do certame, decorre uma conversa entre Inês Pedrosa e Afonso Reis Cabral, que a pouco menos de dez pessoas desperta interesse. Não se respira o cheiro dos livros na Feira. Não se vê livreiros alegres. Os leitores não sentem entusiasmo em parar nos stands e falar com os autores — eles não receberam convite para lá estarem. Este ano foram apenas três os escritores ‘mais conhecidos’ dos leitores (por acaso todos do Grupo LeYa) escolhidos pela organização da Feira, a própria CMF, para estarem presentes. Outro dos factos que causou-me estranheza desta 41ª Feira do Livro do Funchal foi constar no programa diversos espectáculos musicais organizados pela FNAC, eventos de dança e projecção de filmes. Pergunto: a Feira do Livro é organizada por pessoas que gostam de livros e é direcionada para o público-alvo leitor?