Deixei este ano uma filha em Lisboa para seguir os “estudos gerais”. Há sempre alguma ansiedade nestes momentos, será que fica bem entregue? Será que tudo vai correr bem? Será que depois de terminado o curso, este país vai ter capacidade de lhe proporcionar trabalho? Será que gerei mais uma emigrante à força?

A verdade é que os meus dois sobrinhos mais velhos, altamente qualificados por belíssimas universidades, andam lá por fora a fazer pela vida… Não que isso seja necessariamente mau, julgo que eles olham para isso como uma espécie de estágio profissional, que lhes fortalece o curriculum e o caracter! Quando e se voltarem, virão seguramente muito mais bem preparados para a vida em geral.

Agora uma coisa é certa, estes miúdos mereciam poder escolher entre poder ir e ter que ir! Nos últimos anos, fruto de um enorme reajustamento que todo o país teve fazer face a uma governação totalmente irresponsável, a economia arrefeceu, as coisas de uma maneira geral abrandaram, é uma verdade inquestionável.

Todos fizemos sacrifícios, todos apertamos o cinto, muitos empregos se perderam, poucos se criaram e só mesmo neste último ano o país começou a levantar cabeça!

Há luz ao fim do túnel, mesmo com histórias bem tristes e inoportunas como a do BES e outros acidentes de percurso nada convenientes.

Perguntarão, havia outro caminho? Bom, se até o próprio Tsipras, que apesar de tanta resistência, apoiada e aplaudida aqui pelos socialistas cá do burgo, acabou por aceitar que a austeridade é apesar de tudo o menos mau dos remédios para o seu Povo, não vejo como se possa defender o contrário…

Estou certo que estamos no caminho de um dia os miúdos poderem escolher entre ir ou ficar.

Voltando à minha filha, que foi estudar para longe da asa dos seus pais, o conselho que lhe dou é:

“Filha, apesar de o Tio António Costa ser muito mais divertido que o Tio Pedro Passos Coelho, se te vires muito muito atrapalhada, pede ajuda ao Tio Pedro – ele é rabugento, por vezes um pouco casmurro, mas muito mais confiável!”

Não subscrevo de todo em todo aquela ideia que ganha debates quem for mais fino na oratória e quem tiver um mais rasgado sentido de humor.

Como diz um Colega meu, Portugal precisa de Governantes, não precisa de Políticos.

“Tio Pedro, definitivamente, Tio Pedro, querida Filha!”

Pedro Milheiro Costa