Muito do que se diz de lá para cá tem ficado sem contraditório. Aliás, nos dois debates Passos/Costa em que as Autonomias foram ignoradas, o nome da Madeira surgiu à conta da degradação das contas públicas e da dívida escondida, sempre lembrada pelo candidato socialista, sem que o primeiro-ministro ripostasse, sem que na ilha que continua a dar para o peditório que nos custou dupla austeridade surgisse qualquer reparo.
Esta tese “todos nos lembramos da Madeira”, como mau exemplo, ganhou novos desenvolvimentos recentes. Relevo dois.
Bruno Carvalho, presidente do Sporting, foi ofensivo para os maiores das ilhas, os ditos originais. Mas ainda não teve resposta à altura. "Carlos Pereira disse que Danilo esteve no Sporting? Essa declaração deixou-me furioso… A nossa contabilidade é limpa e isenta, só temos canetas, folhas e computadores, não temos sacos para pôr fruta. Euros iguais a Norte e a Sul? Essa frase marcou-me, ficámos a saber que a prostituição é igual no continente e nas ilhas." A menos que as considere “metáforas”, perante estas insinuações hostis, o presidente Marítimo SAD, que ontem apresentou um lucro de 3,8 milhões de euros em 2014/2015, limitou-se a mandar o seu homólogo “mentiroso” para o ginásio. Nem tudo se resolve com flexões, nem correrias, tanto mais que os leões do “só eu sei porque não fico em casa” são muito dados à mobilidade.
Daniel Oliveira, colunista do Expresso, escreveu a propósito de sondagens e coberturas de campanha, que “como se viu nas europeias, com o MPT, ou nas eleições regionais da Madeira, com o JPP, os jornalistas são incapazes de reagir à novidade antes dela se ter consumado” e que “chegam à notícia quando já não é notícia”. Não sabemos a que jornalistas se refere e até admitimos que alguns só acordaram para o fenómeno por estes dias, mas a generalização envolve-nos. Saiba o agora apoiante do Livre que nas últimas Regionais uma das sondagens que o DIÁRIO publicou vaticinava a eleição de 4 deputados do JPP e foram 5 os eleitos. Aqui ninguém chegou tarde, mesmo não antecipando o voto imprevisível do cidadão. Mal seria. Estranha-se por isso que gente esclarecida, a par de muitos políticos, continue confusa, a achar que uma sondagem é a antecipação de resultados quando não é mais do que uma mera estimativa de voto, que pode mudar de repente.
Dar a volta ao contexto exige ousadia. Nini Andrade Silva, na última ‘Caras’, dá a receita: “Sou madeirense e tenho de levar a Madeira ao mundo”. “Nasci num lugar muito bonito”. “A Madeira é o meu sítio, o meu pouso”. “Na Madeira sinto-me no colo da minha mãe”. As frases da ‘designer’ davam uns ‘outdoors’ junto à Alvalade, no aeroporto da Portela ou na A1.
Invadir a lisboeta Rua do Carmo durante quatro horas foi um bom exemplo de guerrilha promocional. José Luís Ramos Pinheiro, do Grupo R/com, não ficou indiferente. "A RFM & Madeira Experience é mais uma iniciativa inovadora. O Turismo da Madeira e a RFM construíram uma proposta vencedora porque investiram e apostaram…”. Nem mais. A Madeira já levou carros de cesto e fruta fresca a Lisboa. Agora só falta à rádio, com frequência potente na Região, gerar de facto mais postos de trabalho entre nós.
Até lá, percorremos desconfiados uma qualquer levada, que o 'Observador' descreve como “caminho estreito ladeado por cursos de água”. Antes, talvez devessemos reter um bom exemplo vindo de um mundo que nem sempre é escola de virtudes: os portugueses do plantel e da equipa técnica do Benfica exerceram ontem o direito de voto, devido ao facto de domingo, no dia das eleições, a equipa encarnada estar na Madeira para defrontar o União. A 4 de Outubro, faça o mesmo: vote!