Virgílio Santos O espaço atualmente ocupado como estaleiro de obra do ex-estádio dos “Barreiros” foi em tempos, um espaço lúdico-desportivo (na foto do flagrante de hoje, as linhas ainda existentes no pavimento assim o provam) que muito contribuiu para o crescimento e desenvolvimento salutar dos “miúdos” da comunidade envolvente.

Por ter uma vedação muito alta, que evitava a bola de ir para o seu exterior, apelidávamos este espaço “galinheiro” dos Barreiros. Era ali que, informalmente, explorávamos todos os “cantos” da bola esférica… aprendendo jogando! Hoje, como profissional de motricidade humana, compreendo a importância que esta estimulação me proporcionou, principalmente à luz de disciplinas como a psicofisiologia e a psicologia do desporto… Além das brincadeiras com os “miúdos” da minha idade, nos tempos livres e férias grandes, o momento que mais ansiava era o domingo, que bem cedinho e ao longo de toda manhã, com o argumento de dono da bola, entrava no jogo do mundo dos adultos… que grande aprendizagem! Ali não existiam: clubes, treinadores, dirigentes desportivos, empresários, árbitros…simplesmente um espaço físico onde a comunidade envolvente se dirigia para satisfazer o princípio emanado no artigo 79 da constituição portuguesa: “…o direito à prática desportiva!”

Quanta falta fazem a existência destes espaços públicos (espaços desportivos e jardins verdes adaptados) para a prática informal de atividade física e desportiva. Não deveria ser esta a (única) principal obrigação do estado em relação ao artigo 79 da constituição portuguesa?