Da minha casa não se vêem os milhares de foragidos da guerra que todos os dias arriscam a vida ao atravessar o Mediterrâneo para entrar na Europa. O “drama dos refugiados” - o termo politicamente correto com que se comenta este assunto – tem a sua raiz nas nações ditas civilizadas que interferem nos países onde hoje se dão os confrontos. Da minha casa não se vê como o Iraque continua a saque entre grupos de terroristas que tomaram conta do país, que na verdade não está melhor depois da queda e morte de Saddam. Os EUA e a política armada de alguns países europeus tentam vender-nos a ideia de que intervêm para democratizar ditaduras, quando na verdade alimentam a indústria do conflito. O mesmo se passa na Síria e nos próximos palcos onde esta lógica se irá impor contra o “Estado Islâmico”. Esta realidade, entre novelas, entra-nos todos os dias em casa pela televisão, de forma nua e crua. Como diz o ditado, “o pior cego é aquele que não quer ver”. Da minha casa não se vê que quem chega à Europa com pouco mais do que a roupa do corpo não procura de uma vida melhor, mas antes procura uma vida porque para trás apenas deixaram morte. Um refugiado não é um imigrante. A prática política da Europa é uma vergonha face aos princípios e Tratados que constituíram e alicerçam a União. Ainda que respeite um argumento contrário, é-me difícil compreender como um país Europeu não tenha abertura para acolher e apoiar pessoas nestas condições. É um dever moral e uma obrigação política da Europa acolhê-los, criando-lhes possibilidades para que possam trabalhar, estudar, acrescentar valor a eles próprios e à nossa sociedade, e depois, se for o caso partirem para onde bem entenderem. Se todos reagíssemos com a Hungria, que deu ordem para atirar (não letalmente) sobre os refugiados, não era apenas a Europa que estaria em causa mas toda a Humanidade. Lá porque da minha casa não se vê esta tragédia, é atroz que olhemos para o lado como se não fosse nada connosco. É ainda mais grotesco que (obviamente com regras e de forma concertada) nos rejeitemos a receber e apoiar homens, mulheres e crianças que fogem de uma querra. É tão simples quanto assustador. [email protected]
Luís Sena-Lino Consultor de Marketing e Comunicação