Muitos questionarão das verdadeiras razões do afastamento do Dr. Manuel Brito da gestão da saúde regional mas só ele sabe o que determinou a sua saída. Certamente não foi por ter uma cota residual na Clínica da Sé ou noutra qualquer clínica, tanto mais que não exerceu a Medicina desde há vários anos. As razões assentarão em algo mais substantivo. Pela sua experiência de gestão em hospitais do continente é natural que quisesse trazer para a Madeira os melhores exemplos de gestão do Serviço Nacional de Saúde. E assim teve o mérito de elaborar um Programa de Governo audacioso e coerente, em rotura clara com a gestão dos tempos jardinistas. Fez as “pazes” com o Ministério da Saúde e com as organizações profissionais. Acolheu muitas propostas da oposição como sejam as Unidades de Saúde Familiar (USF), o programa de recuperação das listas de espera (SIGIC), os sistemas de gestão em saúde transparentes e auditados bem como teve a coragem de retomar o processo de construção do novo Hospital da Madeira. E aqui começaram os problemas. O poder económico que orbita em torno do PSD Madeira e da hierarquia parlamentar não quiseram o novo hospital. A auditoria financeira na saúde que o Dr. Manuel Brito queria efectuar terá sido, diz-se, bloqueada ao mais alto nível. O erro de manter a estrutura da anterior Secretaria de Francisco Jardim Ramos mostrou-se fatal. Saiu sem glória mas certamente de consciência tranquila de que tentou trilhar um novo rumo no sector, mais moderno e transparente. Foi vítima, como muitos outros, da errada percepção de que o PSD Madeira abandonou totalmente os velhos hábitos e os interesses ilegítimos. As declarações contundentes do actual Director Clínico, Dr. Eugénio Mendonça, a favor da retoma das grandes obras no Hospital Dr. Nélio Mendonça, duplicando a Urgência e construindo um total de 14 + 4 salas operatórias até 2020, inviabilizando assim a construção de um novo hospital, poderão não ser alheias a esses interesses. Aliás, nova gestão clínica nomeada em Agosto é formada pelo “núcleo duro” da candidatura de Cunha e Silva na saúde, com toda a orientação estratégica que dela emana. O que se constata, em 5 meses de governo neste sector, é um grande desânimo. A ostracização de profissionais competentes, mas de alguma forma desligados do poder laranja, mantem-se. Acumula-se as suspeitas de pagamentos discutíveis, senão ilícitos. Aprofundam-se as dificuldades em serviços estratégicos como sejam: a Anestesia com desperdício de profissionais qualificados, a Radiologia com perda da idoneidade e novos abandonos este mês de médicos qualificados, a Oncologia incapaz de dar respostas a todas as solicitações, a Ortopedia com decisões de gestão incompreensíveis, entre outros. A muito determinada Administração do SESARAM trava uma luta inglória para manter a instituição a funcionar correctamente, muito pela falta de dinheiro. Este sector precisa de serenidade e uma mudança de rumo urgente. Por mais bem-intencionado que seja o actual Secretário, parece que não terá mão firme nos destinos do hospital. E, se tiver, deixará de ser Secretário.

Mário Pereira Deputado do CDS na ALM