Manuel João Baptista Há uns anos, em conversa de natureza política com um rico, num dia em que não me sentia de bom humor, despejei: “Os senhores têm é muita sorte porque a maioria dos pobres votam nos vossos partidos!”. Perguntou-me se sabia a razão de tal atitude. Respondi-lhe com algum azedume: “Porque são tontos“. Retorquiu então em tom de gozo: “Não, eles votam nos partidos dos ricos porque pensam que, desse modo, também podem chegar a ricos”. Os partidos são entidades que escolhemos para administrar o dinheiro que o Estado arrecada, por via dos impostos, sendo certo que a maior parte desta verba provém do bolso dos pobres - a grande maioria da população - porque o IVA e o IRS, impostos que incidem sobre o consumo e os rendimentos do trabalho, são as principais fontes de receita de imposto. É óbvio que quando os pobres votam nos partidos dos ricos estes partidos vão beneficiar os ricos, retirando (desviando) dos pobres parte dos impostos por estes paga tornando-os cada vez mais pobres e fazendo os ricos ficarem cada vez mais ricos. Esta prática contraria a própria constituição - lei fundamental do país – que obriga os partidos no governo a usar o dinheiro dos impostos na correcção das desigualdades económicas e sociais. A regra de restituir aos pobres aquilo que lhes é retirado, por via dos impostos, nem sequer deve ser considerada de natureza ideológica mas de justiça – o seu a seu dono. Os pobres devem então votar nos partidos que prometam: reduzir o custo dos serviços públicos nomeadamente da educação, saúde e justiça, aumentar os salários e as pensões assim como reduzir os impostos. Os ricos e alguns técnicos ao serviço dos mesmos dirão logo que isso é uma loucura e que não é possível. Claro que é porque esta política dá mais poder de compra às pessoas a qual vai induzir, de forma cada vez mais crescente e progressiva, mais consumo/comércio/produção/investimento e finalmente mais emprego originando assim mais receita fiscal com menos carga fiscal. É uma política de enriquecimento das pessoas ao invés da actual que visa o empobrecimento. É claro que nas eleições até os partidos dos ricos dizem querer beneficiar os pobres, na ânsia de caçar votos, mas após tantas eleições os pobres já tiveram provas mais do que suficientes para não se deixarem enganar uma vez mais. No entanto se os pobres continuarem a votar nos partidos dos ricos então é caso para dizer que não pretendem melhorar as suas condições de vida e que gostam de ser enganados.