Mais do que os “novos máximos” que antecipa para a época turística de 2015, o Turismo de Portugal destaca como principais fatores de sucesso a menor assimetria nacional, as crescentes qualificação e competitividade e o fortalecimento do mercado alemão.

“Não temos metas quantificadas até final do ano e nem é tanto isso que nos move. O que nos move é ganhar quota e, a partir do momento em que estejamos a crescer mais do que os outros, a conquistar mais pessoas e a conseguir angariar mais receitas do que os outros, quer dizer que estamos a ser competitivos e que temos as condições para crescer durante muitos e bons anos”, afirmou o presidente do Turismo de Portugal, João Cotrim de Figueiredo, em declarações à agência Lusa.

Segundo este responsável, os últimos dados relativos à evolução do turismo em Portugal, referentes a julho, “confirmam a tendência registada até junho” de um “crescimento forte de mais 9% de visitantes em relação aos mesmos sete meses do ano passado”.

Dados que comprovam a manutenção de taxas de ocupação recorde na generalidade das regiões do país e que permitem antecipar que o verão de 2015 correu bem ao turismo português e que, no final do ano, se estará “perante mais uma época turística que estabelecerá novos máximos”, referiu.

Ainda assim, Cotrim de Figueiredo prefere congratular-se com quatro grandes tendências evidenciadas na atual época turística que, acredita, são a verdadeira base de um crescimento sustentado da atividade em Portugal.

Uma delas é o facto de as regiões que mais estão a crescer serem “aquelas que ainda têm menos expressão turística”, o que tem permitido, ainda que “devagarinho”, esbater as diferenças de desenvolvimento turístico ao longo do país.

“É o caso do Centro, do Alentejo, dos Açores e do próprio Porto e Norte, que ainda é a nossa quarta região, mas está a crescer fortemente”, explicou.

Por outro lado, disse, “dentro de cada uma das regiões, com exceção dos Açores, o que está a crescer mais são os não residentes, os estrangeiros, o que é bom sinal”.

Também destacado pelo Turismo de Portugal é que o crescimento de 9% nas dormidas e hóspedes acumulado desde janeiro “está a ser acompanhado de um crescimento muito mais expressivo nas receitas e no Revpar [receita por quarto disponível], que está a crescer 12%”.

“As receitas estão a crescer a uma vez e meia o ritmo dos hóspedes, o que significa que está a ser possível fazer uma gradual qualificação e ajuste do posicionamento qualidade/preço de Portugal no mercado”, referiu João Cotrim de Figueiredo.

Conforme salientou, tal vai permitir às empresas de turismo “recuperar das dificuldades financeiras que tiveram nos anos mais recentes e preparar a fase seguinte de crescimento sem dependerem exclusivamente do crédito e da banca”.

Um terceiro aspeto destacado é o facto de, até julho, o número de alemães que visita Portugal ter crescido 13% e as receitas com origem nestes turistas terem aumentado 25%, “portanto ao dobro do ritmo da quantidade”.

Para o Turismo de Portugal, que tinha elegido o mercado alemão – “de longe o maior mercado emissor europeu” - como um dos mercados prioritários este ano, esta evolução demonstra a adequação da estratégia adotada para a Alemanha, cuja quota inferior a 1% no turismo em Portugal comparava com os mais de 2% do Reino Unido, França e Itália, além de Espanha.

“É [uma evolução] notável e que pode ser o princípio de um crescimento sustentado da quota de mercado de Portugal no mercado alemão”, disse Cotrim de Figueiredo.

Finalmente, o responsável aponta como muito positivo o ganho de quota que Portugal tem vindo a obter face aos países concorrentes na bacia mediterrânica, nomeadamente Espanha.

“Até julho, as dormidas de estrangeiros em Portugal estão a crescer cerca de 7,5%, quando em Espanha estão a crescer cerca de 1,5%, o que significa que Portugal está a crescer a cinco vezes o ritmo de Espanha no que diz respeito às dormidas”, afirmou, acrescentando que, ao nível das receitas, “a diferença deve ser, provavelmente, maior”.