Acabada a época de verão, o Porto Santo volta à sua pacatez e serenidade. As artérias da cidade encontram-se vazias, as esplanadas apenas com alguns residentes e turistas de visita por um dia. Acabou-se o stress em filas de supermercado, farmácia ou mesmo para comprar o pão. Verão que dizem ter batido o recorde de visitantes na ilha, inclusive neste mês com o festival de Colombo, onde a adesão dos turistas foi imponente. A grande questão passa por saber o porquê de tanto vangloriar político com os números atingidos de turistas na época balnear, sabendo que são os hotéis que praticam o “All inclusive” que ajudam a promover a ilha e a obter estes números, se não existissem não seria possível .
Por outro lado, a visão política também afirma que é necessário combater o “All inclusive”, pois este é um flagelo para a economia local, não havendo o derrame que todos pretendem. Acho legítimo que todo o empresário adote o que acha ser o mais rentável para a sua empresa. Difícil de compreender estas afirmações ambíguas nos dias de hoje! Já o diz o velho ditado “Se Maomé não vai à montanha, a montanha vem a Maomé.” Será complicado ir de encontro a estes hoteleiros e apresentar ideias e serviços concertados, criar um roteiro semanal histórico, desportivo, gastronómico e de diversão noturna para que os turistas possam desfrutar do melhor que a ilha tem? Setembro também é o mês do início do ano letivo 20015/16, onde os nossos jovens irão encontrar imensos desafios para almejar a formação necessária para o seu futuro social e profissional. Uma vez mais, não evitando ser repetitivo, é com alguma mágoa que denoto que não houve esforço governamental para a resolução da construção da nova escola secundária.
De salientar que não é a única escola em condições precárias, pois a escola primária da Vila também demonstra a sua precariedade a olho nu. Fazendo uma análise ao verão que terminou, é com muita sinceridade que afirmo que realmente denotou-se uma maior afluência de turistas cá na ilha, mas continuo a afirmar que deveria ser maior a aposta no mercado nacional e regional, pois os alicerces começam no chão e não pelo teto. De realçar o esforço financeiro feito por alguns empresários locais em criar e trazer eventos para a ilha com artistas de renome nacional e internacional, projetando o nome Porto Santo pelos media nacionais e internacionais. A terminar, gostaria de agradecer esta oportunidade cedida pelo DN Madeira em dar “A minha opinião”, opinião baseada na experiência social e profissional em Porto Santo. Não sendo licenciado, nada me impede de opinar sobre a ilha que me viu nascer e na qual diariamente luto para que tenhamos um futuro próspero. Até Outubro. * Nota de Redacção: por lapso, na edição de ontem atribuímos a Miguel Velosa a autoria de um artigo que é de Nuno Drummond. A ambos os colaboradores e aos nossos leitores as nossas desculpas.
Miguel Velosa