Os últimos 4 anos foram desesperantes para a esmagadora maioria dos portugueses. Desemprego, emigração, precariedade, insegurança, falta de esperança. Vivemos acorrentados a um Governo da República que impôs mais austeridade e sacrifícios onde eles não seriam necessários, mais troikista que a Troika. Cortes de salários, de pensões, aumento de impostos no IRS e IVA, destruidores do rendimento das famílias e do esforço das empresas. Tentaram vender-nos ilusões, uma retórica meio salazarista de “pobrezinhos mas cumpridores”, como se o País vivesse do ar, e não se constatasse o sofrimento dos cidadãos e das empresas face a uma ausência de estratégia de crescimento económico, ao contínuo empobrecimento nacional. É tempo de mudar de rumo, aumentar o rendimento das famílias, apoiar as empresas e agilizar o financiamento da economia, de modo a criarmos novamente emprego, e permitirmos o regresso de centenas de milhares de jovens e menos jovens que tiveram de partir para o estrangeiro, praticamente expulsos do seu País. Igualmente, não é apenas a economia que necessita de ganhar vida. A educação, a ciência, a cultura, e a saúde foram áreas onde existiu um enorme retrocesso, um desinvestimento do Estado tremendo que deixará sequelas, destruindo o esforço de vários governos ao longo das últimas duas décadas. No Sábado de manhã no Mercado dos Lavradores, em campanha com o PS-M, enquanto estava a discutir com um grupo de pessoas as nossas propostas e a situação do País, um jovem com cerca de 17 anos interrompe a conversa e afirma “como é possível os políticos continuarem a fazer promessas que depois não cumprem, assim nem daqui a 50 anos isto endireita”. Surpreendido pela invectiva, dirijo a minha atenção para ele, e argumento que infelizmente muitos políticos não cumprem com aquilo que dizem em campanha, sendo o caso mais flagrante o do atual Primeiro Ministro, Passos Coelho. Mas acima de tudo, e independentemente de sermos de esquerda ou direita, do partido A ou B, o mais importante é termos capacidade de ler e interpretar os programas eleitorais, e não apenas prestar atenção à propaganda. O que verdadeiramente está em causa nestas eleições são dois modelos económicos e sociais absolutamente distintos, e ou queremos continuar com o caminho da austeridade representados por Passos/Portas, em direção ao fim do nosso Estado Social, que permitiu o crescimento e desenvolvimento incomparável do País nos últimos 30 anos, ou mudamos e apostamos em António Costa para relançarmos a economia, criarmos emprego, fortalecermos as instituições públicas, em particular o Sistema Nacional (e regional) de Saúde, a Segurança Social e a Escola Pública. A pior herança que Passos Coelho nos deixou foi uma geração inteira de jovens que perderam a confiança e a esperança num futuro melhor, e isto temos de mudar, não podemos aceitar, temos de votar 4 de Outubro na única alternativa, o Partido Socialista.

Miguel Iglésias, Presidente do PS Funchal