Juvenal Pereira - Olha o nosso amigo, há uns tempos desaparecido. - Tenho andado muito atarefado. Esta coisa de entrevistas e debates, rouba-me espaço, retira-me liberdade - Pois, mas são precisos, para nos deixar mais esclarecidos. - É verdade, cada vez conhecemos melhor a política e os políticos. - De mim, pensem o que quiserem, mas já disse em casa aos filhos e à mulher: entrevistas e debates devemos vê-los com o espírito que vimos uma revista humorística, no Parque Mayer! - Fazes bem. Também já fiz ver à minha mãe que, campanhas de rua ou porta a porta, ela não deve aparentar que se incomoda, ouvindo a todos com atenção e a todos dar razão. - …Assim a modos de como fazemos com aqueles rapazinhos que andam pelas casas, de camisa e gravata, com um livrinho na mão, a pregarem a sua religião? - Exatamente. Sorrimos, brincamos, naquilo que dizem, fingimos que acreditamos, e quando vão embora, voltam-nos as costas, eles ficam nas “deles” e nós ficamos nas “nossas”. - Realmente, a política, mercê do pântano onde habita, já ninguém nela acredita. E, então, perante tanta ingenuidade, tontices e banalidades, promessas de que fazem eco, num País que não tem dinheiro nem para mandar cantar um cego, o melhor a fazer é dar a entender que estamos a… perceber! - Pois é. Naquele tempo em que nos davam umas latas de tinta para pintarmos a casinha – a nossa e a da vizinha – havia vinho, espetada e bailaricos, vá lá, vá lá, que estávamos motivados para ouvi-los, mas nesta crise malvada, que não nos dão nada, não há paciência para ouvir tanta incoerência. - Bom, não é bem assim. Há quem ainda faça um discurso com princípio, meio e fim. Sempre é bom ficarmos esclarecidos, sabermos, por exemplo, quem mandou vir a “troika “e se foi mesmo por estarmos falidos. - Falidos, penso que não. Sempre tivemos gente competente à frente dos destinos desta Nação. Acho que o dinheiro foi pedido mais por um gesto de um país solidário e amigo. A Alemanha estava na bancarrota e a gente quis ajuda-la pedindo dinheiro à “troika”. - Estou de acordo contigo. Como seria uma humilhação se fosse oferecido, assim foi pedido e eles com os juros ficaram servidos. - Neste particular – graças a Deus – o nosso País tem muitos exemplos a dar. Recordo-me dos chamados “retornados” que as ex-colónias os espoliaram e mandaram-nos para cá, em contrapartida, perdoamos-lhes as dívidas e ainda mandamos dinheiro para lá. - Está certo. Somos um país de coração aberto. Podemos estar cheios de mendigos dormindo pelos cantos das cidades, casais em extrema dificuldade, gente outrora bastante remediada a viver em pobreza envergonhada, mas se for preciso acudir alguém em qualquer dos continentes estamos no pelotão da frente. - E não se pense que se trate de um ato de hipocrisia ou por ser politicamente correto, é porque sempre fomos um País de governantes – como já referimos – de coração aberto! - Voltando às eleições, gostaria de saber as vossas opiniões. - Bom, por um lado temos Passos e Portas, mergulhados num mandato prenhe de equívocos e contradições, com a agravante de mexerem em salários e pensões. Forçados ou não, a verdade é que lá foram meter a mão. Do outro lado, um Costa carregando às costas (quase) os mesmos que há quatro anos – se bem me lembro – deixaram o País pelas “canas adentro”. -Pois, isso é o que nos oferece dizer de momento, porque, quanto aos outros, pouco mais podem fazer do que preencherem as cadeiras do Parlamento. -Quanto a mim, meus amigos, estou fora desse “castigo”. Ao julgar que iam marcar as eleições para meados do mês, marquei viagem de férias para o dia 3. Mas reconheço o dilema (na escolha) de vocês!